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Perdida por Lisboa

A capital vista pelos olhos de uma açoriana...

Perdida por Lisboa

28
Abr17

A beleza do caos do Panorâmico de Monsanto

NNC

 

Tal como muitas pessoas tenho fascínio por edifícios abandonados. O mistério, a energia e o misticismo ligado a estes espaços deslumbra-me, mas nunca um caso me impressionou tanto como o do Restaurante Panorâmico, em Monsanto.

 

A história que envolve este prédio, a vista (que é só a melhor vista de Lisboa) e a beleza de um edifício que já foi um dos mais luxosos da capital e hoje está destruído e vandalizado, é emocionante. A cada passo que damos vemos lado a lado a beleza e o caos.

 

Passado

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 Panorâmico do Monsanto, Lisboa, 1973.  / Vasco Gouveia de Figueiredo, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

 

O Restaurante Panorâmico de Monsanto foi mandado construir pela Câmara Municipal de Lisboa em 1967. Abriu um ano depois, em 68, sendo logo considerado um dos mais luxuosos edifícios da capital e quiçá de Portugal.

 

A obra, de sete mil metros quadrados, é da autoria do arquiteto Chaves da Costa. O interior foi decorado com murais de Luís Dourdil, azulejos de Manuela Madureira e painéis de Querubim Lapa.

 

Era muito frequentado pelas elites do Estado Novo e, durante décadas, recebeu muitos famosos entre os quais o já falecido David Bowie.

 

Entretanto, depois de anos nas bocas do mundo, o emblemático Restaurante Panorâmico foi encerrado. A distância da cidade, os acessos difíceis e a falta de clientela foram as razões apontadas para o abandono. Transformou-se numa discoteca, depois num bingo e até num armazém de materiais de construção civil. Em 2001 fechou definitivamente.

 

Presente

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Após mais de 16 anos de abandono, a magnificência do Panorâmico mantém-se, mas é tudo menos luxuoso.

 

O edifício sobressai dos seus 205 metros de altitude do Alto da Serafina, no Parque Florestal de Monsanto. Tem um formato circular, uma dimensão gigantesca até um acesso subterrâneo que, outrora, foi uma garagem que acolheu centenas de carros de luxo de outros tempos. Nota-se a degradação, mas é no interior que o vandalismo mais perturba.

 

No parque de estacionamento junto ao antigo restaurante há um sinal que proíbe a entrada, mas, na verdade, todos os dias passeiam por lá dezenas de pessoas. Um buraco na rede que protege a zona dá acesso ao local.

 

No interior, é possível ver entre os graffitis que algumas obras de arte resistiram. Entre o entulho, o lixo e a destruição há espaços com vidros partidos que parecem ter sido já cautelosamente colocados para tirar fotos artísticas. Há uma escadaria que faz lembrar filmes de princesas e recantos que nos fazem imaginar que se falassem teriam muito para contar. Mas é a vista, a vista panorâmica sobre a cidade de Lisboa, que é soberba e que nos faz querer permanecer ali, no silêncio, apenas a observar.

 

Futuro

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A Câmara Municipal de Lisboa garante ter planos para reabilitar o espaço, mas ainda não revelou quais e para quando.

 

A verdade é que os acessos até esta zona continuam a ser deficitários e a reconstrução deste edifício iria custar alguns milhões de euros.

 

 

 

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