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Perdida por Lisboa

A capital vista pelos olhos de uma açoriana...

Perdida por Lisboa

12
Set17

Corvo, a ilha mais pequena dos Açores

NNC

Caldeirão (1).jpg

É a ilha mais pequena dos Açores, com uma área de apenas 17 km² e cerca de 400 habitantes, mas é muito mais do que isto. Um lugar completamente diferente que chega a ser difícil descrever.

 

Aqui todos se conhecem, não há casas roubadas nem trancas à porta, as fechaduras são conhecidas por serem de madeira e as mentes são tudo menos fechadas. Aqui, as leis, sejam elas de trânsito, de justiça ou sociais são feitas pelos corvinos. Aqui, vive-se com liberdade, com respeito e com vontade. Aqui, não há solidão, as redes sociais são uma janela aberta para o mundo, as viagens são feitas sempre com a determinação de voltar e a modernidade chega com respeito ao passado. Aqui, pequeno só o tamanho da terra, porque a união é grande, a alegria é imensa e a vontade de receber é ainda maior.

 

Apesar deste ano não ter conseguido ir ao Corvo, algo que por vezes acontece devido ao tempo ou estado do mar, no verão de 2016 fui e adorei. Há 11 anos que não fazia a travessia das Flores para o Corvo e achei uma grande diferença quando atracamos. As ruas estão mais limpas, a vila está arranjada e há edifícios novos feitos com mestria. A viagem de semi-rígido, com a Extremo Ocidente, é lindíssima. Dura 45 minutos e antes de navegarmos até alto mar o Carlos mostra-nos a beleza da rocha florentina. Há ilhéus, grutas e até cascatas. E se tiveres sorte, podem aparecer golfinhos e baleias para acompanhar a viagem.

 

Se preferires viajar de avião fica a saber que não há voos diretos a partir do Continente. Para fazer apenas uma escala o melhor é viajar até ao Faial ou São Miguel e seguir para o Corvo num voo inter-ilhas da SATA.

 

O que não podes perder:

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Vila do Corvo – É a única povoação da ilha e o concelho mais isolado de Portugal. As suas ruas estreitas e tortuosas são localmente conhecidas como "canadas", as casas são geralmente baixas, e combinam fachadas de pedra negra com portas e janelas brancas. Na minha opinião, o melhor que podemos fazer nesta vila é sentar num café, conviver com os corvinos e observar as suas vivências. Para eles, a insularidade e o isolamento são apenas palavras que o vento leva para outras paragens.

 

Caldeirão – Com 2.3 quilómetros de diâmetro e 300 metros de profundidade, a lagoa do Caldeirão é o ex-líbris do Corvo e um dos locais mais calmos onde já estive (primeira foto do post). O silêncio só é quebrado por alguma ave que sobrevoe o local ou por uma das vaquinhas que aprecia calmamente as pastagens. A população acredita que os pequenos ilhéus que estão dentro da cratera representam cada uma das 9 ilhas dos Açores.

 

Moinhos de Vento –  É na Ponta Negra e com uma deslumbrante vista para as Flores que três moinhos do século XIX encantam os visitantes.

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Centro de Interpretação Ambiental e Cultural – Aqui podes compreender as especificidades ambientais e culturais da ilha.

 

Igreja Nossa Senhora dos Milagres – Reza a lenda, que no século XVI, aquando de um ataque pirata foi a imagem de Nossa Senhora do Rosário que protegeu os corvinos das balas dos inimigos. Um milagre que motivou a mudança de nome da padroeira da igreja do Corvo. Apesar do edifício ser pequeno, a escultura flamenga é muito valiosa.

 

Mergulhar no Caneiro dos Meros – Em 1998, pescadores e mergulhadores do Corvo acordaram ter a única Reserva Marinha Voluntária dos Açores. 17 anos depois, o resultado é um dos mais procurados lugares de mergulho de Portugal. Uma autêntica utopia onde além dos afáveis meros, que disputam por atenção, a vida marinha é diversificada e intensa.

 

Praia da Areia

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A areia é escura, mas a água é cristalina e de temperaturas amenas. Ideal para fazer snorkeling e observar a vida marinha.

 

Cara do Índio – Escarpa esculpida pela mãe natureza de forma a parecer a cara de um índio.

 

Observação de Aves – O Corvo começa a ser um dos destinos mais procurados por ‘birdwatchers’ de todo o Mundo. Tanto que, em outubro, as viagens para lá já estão esgotadas pois é neste mês que as aves cruzam o Atlântico, durante as migrações, e param nesta ilha para descansar. No Centro de Recuperação de Aves Selvagens pode observar várias espécies resgatadas e que estão em tratamento.

 

A Casa do Bote - Construída com madeira de pinho e com o chão feito de pedra de calhau rolado, este museu recupera o traçado das antigas casas dos botes baleeiros. Aqui a memória histórica do passado do Corvo é perpetuada através de várias exposições. O espaço, instalado junto ao multiusos, dispõe de computadores que conduzem os visitantes às tradicionais vivências da ilha. Um dos registos mais marcantes são as 500 fotografias da visita do príncipe Alberto do Mónaco aos Açores.

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                                                                                                                  Foto do documentário 'É na Terra não é na Lua' sobre a ilha do Corvo

 

Fechaduras e Boinas – As fechaduras são dos segredos mais bem guardados dos corvinos. Estes utensílios, fabricados pelos artesãos do Corvo, são feitos de madeira e simbolizam a vivência numa ilha pacífica onde todos se conhecem. Já as boinas do Corvo, um barrete feito de lã, remetem ao início do século quando os mestres baleeiros teciam para ocupar as horas vagas passadas em alto-mar.

 

Onde e o que comer:

Restaurante Traineira  - A excelente localização e o peixe fresco do Traineira fazem as delícias dos turistas. Uma das especialidades do restaurante são as tortas de erva do calhau (Facebook).

 

Restaurante Caldeirão – Mais uma vez a simpatia dos corvinos salta à vista. Com ótimo atendimento e com uma ementa variada, que vai desde o peixe fresco à suculenta carne de bovino, qualquer pessoa esquece que está numa ilha onde por vezes faltam alimentos quando o mar teima em não deixar o barco da carga atracar.

 

BBC Caffé&Lounge  – Que é como quem diz, Bar dos Bombeiros do Corvo. É aqui o ponto de encontro dos corvinos mais jovens. Neste bar servem-se refeições, há karaoke, noites de discoteca e até bailes (Facebook).

 

Onde dormir:

Guest House Comodoro – Casa de hóspedes com instalações confortáveis na qual vai sentir que está em família (Facebook).

 

Joe&Vera’s Place – É a única casa particular do Corvo no Airbnb (Facebook).

 

Festas:

Festa de Nossa Senhora dos Milagres – É a maior festa da ilha e realiza-se de 13 a 16 de agosto com concertos para todos os gostos e muitos petiscos.

 

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