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Perdida por Lisboa

A capital vista pelos olhos de uma açoriana...

Perdida por Lisboa

01
Set17

Faial, a ilha azul de Raul Brandão

NNC

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Raul Brandão, no seu livro Ilhas Desconhecidas, apelidou o Faial de ilha azul devido à imensidão de hortênsias que polvilham as terras e os caminhos desta ilha. O escritor não estava errado, ainda hoje em dia, passados quase 100 anos da sua viagem, quem visita o Faial sente o mesmo. Mas esta alcunha é demasiado redutora. Esta podia também ser a ilha dos vulcões, da melhor vista (para o Pico), do gin mais famoso do mundo e da bipolaridade. É que aqui, tanto estamos rodeados de uma imensidão de verde como temos a paisagem negra dos Capelinhos, os seus habitantes vivem entre a serenidade de uma ilha com pouco mais de 30 quilómetros de comprimento e a incerteza do próximo sismo, a harmonia das freguesias e da pequena cidade da Horta é quebrada, ora aqui, ora acolá, por misteriosos faróis abandonados ou igrejas destruídas num qualquer dia menos bem-aventurado, onde um tremor fez estremecer as entranhas desta terra.

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Eu e as minhas amigas estivemos apenas umas horas na ilha do Faial. Viemos de São Jorge de barco e já era noite quando atracamos na Horta. Fomos jantar e dormir cedo para conseguir aproveitar bem a manhã antes de voar para a ilha das Flores.

 

O que vimos em 1 manhã:

Vista para o Pico 

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A cidade da Horta tem uma das minhas vistas preferidas dos Açores: para o Pico. Parece um postal. É tão imponente como relaxante. Por vezes surge envergonhado como na foto acima e esconde-se atrás das nuvens, apenas a espreitar... mas nunca perde o encanto.

 

Marina da Horta - É a marina mais importante dos Açores e a quarta mais visitada do Mundo. Todos os anos, centenas de veleiros atracam neste porto e pintam as suas marcas nos muros do cais. Uma autêntica obra de arte ao ar livre.

 

Peter Café Sport 

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A nossa passagem pelo centenário e internacionalmente conhecido Peter foi rápida, bebemos apenas um café para acordar, mas se tivessemos mais tempo não tínhamos perdido a possibilidade de experimentar o afamado gin e visitar o museu scrimshaw localizado no primeiro andar do estabelecimento. Nesta zona há centenas de dentes de cachalote gravados com cenas de caça à baleia e sereias. 

 

Miradouro da Espalamanca 

A nossa volta pela ilha começou neste miradouro, mas antes passamos pela pastelaria Bico Doce, para levar as melhores jesuítas que já provei e das quais a minha mãe é fã desde que nasci... e já lá vão 30 anos  . Quando chegamos a este miradouro ficamos deliciadas com a vista, mesmo com nuvens conseguimos contemplar a cidade da Horta e a vizinha ilha do Pico. Nos dias de sol consegue-se vr também São Jorge e a Graciosa. Além disso, aqui poderá observar a imagem de Nossa Senhora da Conceição, em mármore, com cerca de três metros de altura, com cerca de quatro toneladas, junto a uma cruz com quase 30 metros de altura. Este monumento é uma homenagem a Nossa Senhora da Conceição que é uma das padroeiras da cidade.

 

Caldeira 

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Com 400 metros de profundidade e quase dois quilómetros de diâmetro, a Caldeira é a cratera do maior vulcão da ilha. Além da vegetação de um verde cintilante aqui sente-se um silêncio arrebatador...

 

Farol da Ribeirinha 

Um dos locais que mais queria conhecer no Faial era o Farol da Ribeirinha. Já tinha estado várias vezes nesta ilha, mas nunca tinha estado aqui. E é tal igual como imaginava. O cenário que ostenta este farol está entre um filme de terror e uma romance onde os protagonistas foram felizes para sempre. Este monumento ficou destruído durante sismo de 1998, que matou oito pessoas e destruiu centenas de casas no Faial. Desde aí que se encontra abandonado, rodeado de pastos verdes, algumas vaquinhas e soberba vista para o mar. Em dias de sol é ainda possível ver as ilhas vizinhas, mas na altura que o visitamos estava nevoeiro dando ao local um aspecto ainda mais misterioso.

 

Vulcão dos Capelinhos

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Ao contrário do que acontece por toda a ilha, aqui não há vegetação. O cenário é escuro e o passeio é feito sobre as cinzas de um vulcão adormecido que estrou em erupção pela última vez entre 12 de setembro de 1957 e outubro de 1958. Treze longos e destruidores meses que levaram a uma das maiores vagas de emigração da região para os EUA. Junto ao percurso tem o Centro de Interpretação dos Capelinhos, um museu cavado nas cinzas, onde poderá conhecer melhor a sua história (10€).

 

O que gostaríamos de ter feito também:

Mergulhar com tubarões - As ilhas do Faial e Pico são consideradas mundialmente lugares de eleição para fazer mergulho com tubarões e jamantas. Julho, quando as temperaturas do ar e da água do mar começam a aquecer, é o mês mais indicado para praticar esta modalidade (cerca de 170 euros na Norberto Diver).

 

Casa Museu Manuel Arriaga - Foi nesta casa que nasceu e residiu Manuel de Arriaga, o primeiro Presidente da República Portuguesa, eleito a 24 de agosto de 1911. Além do valor histórico, este edifício funciona como biblioteca e espaço para exposições.

 

Trilho dos 10 vulcões - Um trilho de 36 km onde vai descobrir vulcões e desfrutar da riqueza paisagística da ilha.

 

Tomar um banho na praia do Almoxarife - É um dos maiores areais da ilha e tem vista privilegiada para a vizinha ilha do Pico. As piscinas naturais do Varadouro, da Poça da Rainha e a Praia de Porto Pim também parecem ser encantadoras e ótimas para um mergulho e passar o dia junto ao mar.

 

Morro do Castelo Branco - Pequena península com morro esbranquiçado – devido aos depósitos de argila – que tem a forma de um castelo. Um local muito procurado por aves marinhas, especialmente pelos cagarros, devido às características geofísicas e isolamento.

 

Miradouro do Cabeço Gordo - Ponto mais alto da ilha. Daqui avista-se o Vale dos Flamengos, Baía do Porto Pim, a Horta e a ilha do Pico, do outro lado do canal.

 

Onde comer

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Restaurante Atlético - Restaurante acolhedor de estilo rústico, no centro da cidade da Horta, com grelhados diversos como carne, peixe fresco e mariscos. Além dos pratos serem deliciosos, a quantidade é mais que muita e tem acompanhamentos originais, como maçarocas de milho e várias saladas (Facebook).

 

Petisca Aki - Este restaurante, na freguesia de Castelo Branco, tem todos os dias buffet de petiscos regionais, entre os quais torresmos de vinha-d’alhos e chicharros (carapauzinhos) com molho de vilão (Facebook).

 

Casa de Chá e Bar - Para almoços sossegados num jardim e na companhia de gatos (Facebook).

 

Praya - Restaurante de petiscos na praia de Almoxarife (Facebook)

 

Onde dormir

Quinta da Meia Eira - Casas, na freguesia de Castelo Branco, com traços de arquitetura baleeira e com uma vista deslumbrante sobre o Atlântico (Facebook).

 

Pousada da Horta - Fica no Forte Santa Cruz, que no século XVI foi a principal fortificação da ilha (Facebook).

 

Festas

Semana do Mar -  Entre a primeira e segunda semana de agosto há festa rija do Faial, uma das maiores e mais conhecidas festas dos Açores.

 

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