Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Perdida por Lisboa

A capital vista pelos olhos de uma açoriana...

Perdida por Lisboa

26
Ago17

São Jorge, a ilha das fajãs

NNC

Cubres1 (2).jpg

 

São Jorge foi a nossa terceira paragem. Apanhamos um barco da Atlântico Line, em São Roque, na ilha do Pico, às 19h30 e chegamos às 20h20 ao porto das Velas. Depois de apanharmos o carro que alugamos na rent-a-car Oásis (são 5 estrelas e não é necessário cartão de crédito) só pensávamos em comer. Contudo, pelo caminho para o Fornos de Lava (falo mais a baixo), tivemos mesmo de parar! Nunca mais me vou esquecer daquela vista e daquele pôr do sol esplendoroso! Nenhuma foto faz jus aquela beleza... mas deixo-vos aqui uma amostra...

 

Pôr-do-sol São Jorge.jpg

 

Apesar das fajãs serem comuns no arquipélago, é nesta ilha que estes acidentes geográficos, com uma montanha de um lado e o mar do outro, são em maior número...São mais de 70 fajãs onde, na maioria delas, a beleza é tão grande como inacessível. Os carros só nos levam até determinado ponto, num caminho de curvas e contra-curvas que muitas vezes amaldiçoei, as botas de montanha são aconselháveis e a água mineral foi a nossa melhor amiga. Mas, vale mesmo a pena! A natureza está intocável, o mar e o céu cruzam-se num só com o Pico sempre a espreitar no horizonte e os segredos guardados nestas paisagens virgens deram-nos uma experiência inesquecível.

 

O que vimos em 2 dias:

Dia 1

Fajãs.jpg

 

Fajã da Caldeira do Santo Cristo - É a fajã mais afamada de São Jorge e o seu ex-líbris. Para lá chegar pode escolher dois caminhos: a partir da Fajã dos Cubres (1 hora para cada lado) ou a partir da Serra do Topo que dizem ser o caminho mais bonito, com uma cascata pelo meio, mas também o mais longo e mais duro. Ah! Estamos a falar de caminho feito a pé. É que nesta fajã não entram carros. Os únicos veículos motorizados que entram são motas de quatro rodas, com horas estabelecidas e, normalmente, só para levarem carga.

 

Nós escolhemos o caminho mais curto. E, verdade seja dita, chegamos mortas. Contudo, quando começamos a ver este postal onde a natureza se encontra no seu estado mais puro, onde de um lado temos mil verdes e do outro uma lagoa separada por uma pedras do oceano... ficamos sem palavras. A paz de um lugar tão remoto, onde existe apenas um café, onde já viveram mais de 200 pessoas mas hoje não passam de 10, onde se ouvem os pássaros, o mar a bater nas rochas e, de vez em quando, um "bom dia" ou "boa tarde" é indescritível...só vivendo...

 

Açores 2017 248.JPG

 

Se tivéssemos mais tempo em São Jorge gostaria de ter pernoitado aqui. Nesta fajã há um Surf Camp (Site Caldeira Guesthouse & Surfcamp) com paddle e surf e... muitas histórias para contar. A Igreja de Santo Cristo é disso exemplo. Foi erguida no século XIX e é, ainda hoje em dia, um dos principais locais de culto dos jorgenses. Reza a lenda que foi construída depois de um homem ter encontrado uma imagem do Senhor Santo Cristo a boiar nas águas da lagoa. O homem terá levado a imagem para sua casa, mas no dia seguinte esta voltou a aparecer na caldeira. Esta situação terá acontecido durante vários dias até que o jorgense decidiu construir uma igreja em honra do Senhor Santo Cristo e colocar a imagem no seu altar de onde esta nunca mais saiu.

 

IMG_9307 (1).JPG

 

Envoltas em mistério estão também as amêijoas que começaram a aparecer na lagoa da fajã, há mais de 100 anos, e ainda hoje não se sabe como e quem as introduziu. O que se sabe é que são deliciosas e que pode provar esta iguaria no único café da fajã, o Café Borges. Aqui há também meia dúzia de pratos rápidos, mas leve dinheiro que o multibanco teima em não funcionar. No fim deixe uma memória da sua passagem no tecto do café.

 

Fajã dos Cubres 

Cubres2 (2).jpg

 

Apesar da Fajã da Caldeira do Santo Cristo ter um misticismo difícil de explicar, a Fajã dos Cubres foi a minha preferida (foto acima e primeira foto deste post). É calma, exótica, lindíssima e com várias lagoas por onde pode passear. É também ideal para os amantes da observação de aves. Não é por isso de estranhar que esta Fajã seja uma das finalistas das 7 maravilhas de Portugal, categoria aldeias do mar.

 

Fajã do Ouvidor

Poça Simão Dias.jpg

 

Esta fajã é um dos principais locais de veraneio da ilha devido às suas encantadoras piscinas naturais com águas límpidas e temperaturas amenas. A poça Simão Dias e a poça do Caneiro são as mais requisitadas. Nós optamos pela Simão Dias e não nos arrependemos. Uma piscina super calma, com água transparente, muitos peixinhos e um recorte encantador.

 

Espécies – E porque o mar dá fome, quando saímos da piscina passamos num café para provar as Espécies, um bolo típico da ilha à base de especiarias (daí o nome) como erva-doce, pimenta, canela, noz moscada, etc. Confesso que me fez um bocadinho de espécie. Mas uma das minhas amigas gostou. Pode experimentar em todos os cafés e lojas da ilha.

 

Dia 2

pjimage (11) (1).jpg

Café Nunes - A Fajã dos Vimes guarda um segredo que está cada vez menos escondido: o único café produzido na Europa. São cada vez mais os turistas que vêm a esta fajã à procura do Café Nunes, ou o Café da Fajã. De acordo com o Senhor Nunes, que está atrás do balcão a servir esta preciosa bebida há cerca de 20 anos, algures no século XIX um jorgense voltou do Brasil com uma planta de café. A árvore prosperou no microclima desta fajã e espalhou-se por muitos dos habitantes desta ilha. Contudo, na década de 80, com  a vulgarização dos cafés, perdeu importância e apenas a família Nunes continuou a plantar, apanhar, torrar e moer o café que hoje servem no seu estabelecimento. O café é do tipo arábiaca, tem um aroma intenso e custa 1€. Parece caro, mas vale mesmo a pena.

 

Fábrica das conservas de Santa Catarina – Desculpem as outras fábricas de conservas, mas estas são realmente as melhores. Já não se fazem visitas à fábrica, mas ao lado desta existe um quiosque onde se vende atum de todas as formas e mais algumas. Há atum com pimenta da terra, com molho cru (molho açoriano), com batata doce, com gengibre, tomilho, caril, manjericão e por aí fora. 

 

Queijo da Ilha

 

O Queijo da Ilha é um dos cartões de visita de São Jorge. Por toda a ilha há fábricas de lacticínios que pode visitar para saber como é feito o queijo. Escolhemos a Cooperativa da Beira e gostamos muito. Ficamos a saber que a receita desta iguaria tem origens no século XVI e muitos outros pormenores (além de tirarmos uma foto todas equipadas como podem ver acima haha ). No fim aproveitamos para comprar queijos e doces na loja da Cooperativa.

 

Velas –  É a maior vila de São Jorge. Foi construída à volta do porto e no centro vai encontrar uma das praças mais bonitas do país. O Jardim da Praça da República está bem tratado e é ideal para ter interessantes conversas com os locais ao final do dia. No seu centro tem um coreto vermelho e uma gaiola com pássaros e à sua volta vários cafés onde pode beber uma Kima fresquinha.

 

O que gostaríamos de ter feito também:

Ponta dos Rosais – Tentamos visitar esta zona, no extremo noroeste da ilha, no nosso segundo dia, mas a chuva e o nevoeiro impediram-nos. Dizem que desta ponta, que tem um misterioso farol abandonado, vê-se várias ilhas. O trilho deve ser feito ao pôr do sol para dele tirar melhor partido. Aqui localiza-se também uma das principais zonas para a observação de aves marinhas e o Parque Florestal das Sete Fontes, onde se pode observar várias espécies endémicas como as criptomérias e as azáleas.

 

Torre sineira abandonada – A erupção de 1808 destruiu grande parte da povoação, mas deixou intacta a torre de uma igreja que até hoje permanece ali misteriosa e fantasmagórica.

 

Topo – Antiga vila, com pitoresco porto de pesca onde desembarcou Willem van der Hagen, responsável pelo início da povoação da ilha. O ilhéu do Topo, em frente à vila, é uma das zonas e de pastagem mais ricas e onde o gado chega a nado.

 

Pico da Esperança – É o ponto mais alto da ilha e oferece e uma vista panorâmica sobre as outras ilhas do grupo Central.

 

Canyoning – Tal como já falei aqui, São Jorge é dos melhores locais do País para praticar esta atividade. As arrebatadoras cascatas e as verdejantes montanhas proporcionam uma simbiose perfeita entre natureza, aventura e águas cristalinas (Discover Experience Açores).

 

Onde comer

Fornos de Lava 

 

Apesar das mãos que cozinham neste restaurante serem de um galego, é comida tradicional, confeccionada com produtos locais e cozinhada num forno de lenha, que aqui é servida. De sublinhar o peixe fresco e a qualidade das carnes (Facebook). Adoramos o espaço, a vista e o atendimento.

 

Maré Viva – Reabriu em maio deste ano e é um dos restaurantes com melhor vista do arquipélago. Fica na Fajã das Almas e tem vista para a vizinha ilha do Pico (mais info).

 

Onde dormir

Pousada de São Jorge – Nós escolhemos este alojamento na Calheta por ser o mais barato e, por essa razão, ficamos surpreendidas pela simpatia e pelas condições que esta pousada tem. Os quartos são ótimos, a decoração é simples e juvenil, há um bar com matraquilhos, wi-fi, computador e muitos livros sobre a ilha e o arquipélago. (Facebook)

 

Quinta de São Pedro – Nesta quinta, onde o silêncio só é quebrado pelo chilrear dos pássaros, ou pelo som das ondas, pode pernoitar e relaxar nas camas de rede com vista para o Atlântico (Facebook).

 

Bunganvílias – Além dos quartos, este cantinho oferece aos hóspedes uma piscina com vista para a vizinha ilha do Pico e um pequeno-almoço preparado com produtos locais (Facebook).

 

Festas

Semana Cultural das Velas – É uma das maiores festas da ilha e decorre no início de julho.

Festa dos Rosais – Realiza-se na segunda semana de agosto.

Quem é a 'Perdida'?

foto do autor

Perdida nas redes

Perdida no Facebook

Perdida na Zomato

Vê a minha história gastronómica na Zomato!

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Follow