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Perdida por Lisboa

A capital vista pelos olhos de uma açoriana...

Perdida por Lisboa

26
Jul17

Terceira, a ilha dos impérios de todas as cores

NNC

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 A nossa passagem pela ilha Terceira foi rápida. Demasiado rápida para ver tudo o que desejávamos e para absorver a boa energia dos terceirenses que são, na minha opinião, os açorianos mais ‘festeiros’. Fizemos apenas seis horas de escala nesta ilha por isso decidimos ir à Praia da Vitória que é a cidade mais perto do aeroporto. Mas não sem antes passar na Serra do Cume.

 

O que vimos:

Impérios do Espírito Santo - É obrigatório visitar pelo menos um dos 45 Impérios do Espírito Santo da ilha. Os açorianos têm uma fé inabalável no Divino. Entre o domingo de Páscoa e o domingo de Pentecostes há festividades em sua honra em todas as ilhas. Na Terceira os Impérios são coloridos - ao contrário das outras ilhas que têm cores mais sóbrias -, e cada um tem uma cor diferente. Este que visitamos, chama-se Império da Caridade e fica mesmo na cidade da Praia da Vitória.

 

 

 

 

Serra do Cume - Vista deslumbrante sobre as verdes terras de cultivo que junto com as pastagens com vacas formam uma autêntica manta de retalhos. Do outro lado do miradouro encontra a Baía da Praia da Vitória e a base aérea das Lajes. O silêncio e o sossego deste local faz acalmar a alma...

 

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Se tivéssemos mais tempo, estes seriam os pontos obrigatórios a não perder:

 

Angra do Heroísmo, a Cidade Património - Considerada por muitos a capital histórica dos Açores e Património Mundial da UNESCO há mais de 30 anos, Angra do Heroísmo, guarda o passado repleto de grandes feitos - entre os quais ter sido o único território português que se manteve independente durante a invasão espanhola – no presente. As típicas ruas e os monumentos são o reflexo de anos de história e se subir a escadaria até ao Alto da Memória pode admirar toda a cidade: a Sé Catedral, a baía e até o Monte Brasil.

 

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                                                                                                                                                       Photo credit: frmorais via Visual hunt / CC BY-NC-SA

 

Monte Brasil  - Península de verde estonteante formada a partir de um vulcão submarino extinto e ligada à cidade de Angra do Heroísmo.

 

Mergulhar em Angra - Esta cidade é um autêntico museu subaquático. Todos os anos, centenas de praticantes de mergulho de todo o Mundo descem ao fundo do oceano para conhecer alguns dos 74 naufrágios que desde 1552 ocorreram nesta baía.

 

Algar do Carvão - Por apenas seis euros pode fazer uma visita guiada dentro de um vulcão inativo, classificado como Monumento Natural. É visitável apenas de 1 de junho a 15 outubro entre as 14h00 e as 18h00.

 

Biscoitos - Famosa pelas piscinas naturais, esta freguesia é um autêntico parque de diversões. Além dos mergulhos, pode passear pelas vinhas da Terceira, recuperadas recentemente e de onde, este ano, surgiram dois vinhos da Adega Mãe - o Magma e Muros de Magma - que eu já provei e são óóótimos…são vinhos marcados pela salinidade do mar dos Açores.

 

Festas

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                                                                                                                                                     Photo credit: Luca Nebuloni via Visual Hunt / CC BY

 

Touradas - Entre primavera e o verão não há freguesia da ilha que não organize várias touradas. Nas já internacionalmente conhecidas touradas da Terceira não há varas nem bandarilhas, há centenas de pessoas que se juntam para conviver, comer, beber e ver os mais “corajosos” a enfrentar os touros largados pelas ruas.

 

Bailinhos do Carnaval - Tradição centenária carnavalesca que mobiliza milhares de participantes em torno de espetáculos de teatro amador, que fazem lembrar as cantigas de escárnio e mal dizer de outros tempos.

 

São Joaninhas - Na mesma semana em que se festeja o São João, há na Terceira festa rija.

 

Festas da Praia - No início de Agosto é a cidade da Praia da Vitória que está em festa. Uma semana de concertos, barraquinhas, música e muita alegria.

 

Onde dormir

Quinta do Martelo - Esta unidade hoteleira, na freguesia de São Mateus, oferece aos clientes a experiência de pernoitar numa genuína casa açoriana onde pode dar de comer aos animais da quinta e fazer uma refeição recheada de produtos locais (Facebook)

 

Onde comer

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Há duas coisas que tem mesmo de provar nesta ilha. A alcatra (imagem acima), que é o prato típico da ilha, e as doces e tradicionais queijadas Dona Amélia.

 

Nós comemos no restaurante Garça, mesmo junto à praia, da Praia da Vitória. A alcatra estava excelente, contudo, não tinha a massa sovada que costuma acompanhar este prato típico (Facebook)

 

Ti Choa - Restaurante típico, na Serreta, com pratos que honram a memória das gentes da ilha. Aqui pode experimentar a famosa alcatra da Terceira e provar o molho com o pão acabado de cozer no forno de lenha que se encontra na sala de refeições. (Facebook).

 

Caneta - Fica na costa norte, nos Altares, e, além da Alcatra tem outros pratos terceirenses (Facebook).

 

Boca Negra - Restaurante do Porto Judeu famoso pelo polvo que se come com pão (Facebook)

 

O Forno - A melhor pastelaria da ilha onde pode provar as tradicionais e doces queijadas Dona Amélia.

21
Jul17

À descoberta dos Açores - 9 posts, 9 ilhas

NNC

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Nas próximas duas semanas, vou de férias para os Açores. Levo comigo duas amigas continentais e vou relatar aqui (no Facebook e Instagram também) as nossas experiências e aventuras, assim como dar-vos dicas e sugestões para quando forem visitar este paradisíaco arquipélago. Vamos estar em sete das nove ilhas. Elas pela primeira vez nos Açores. Eu, que sou açoriana, apenas vou pisar pela primeira vez São Jorge, as outras já conheço, mas estou ansiosa por voltar.

 

Esta publicação é uma introdução sobre o que se segue, uma visão geral sobre os Açores, o post número 0 de 9 que se seguem sobre cada uma das ilhas. Ou seja, nas próximas semanas vou estar perdida por outras paragens e espero que vocês também se percam de amores por estas ilhas 

 

Post 0 - Mergulho nos Açores

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Já se imaginou num local onde o murmurar do vento se junta ao mugir saudoso das vacas? Onde o verde se perde de vista até às águas cristalinas do Atlântico?

 

Com a chegada dos voos low cost, viajar para os Açores ficou bem mais em conta. As passagens aéreas chegam a custar quase menos um terço do valor praticado antes, algo que os açorianos ambicionavam há anos. E que os não são açorianos agradecem. Mas o que têm estas ilhas, além das famosas vaquinhas, do peixe fresco e dos caminhos pedestres?

 

Todas são diferentes. Têm desenvolvimentos díspares, qualidades e lacunas que diferem entre elas. Até o sotaque dos habitantes é diferente se estiver nas Flores ou em São Miguel. Contudo, há potencialidades comuns a todo o arquipélago, como é o caso do ecoturismo marinho. A agradável temperatura do mar e a vasta vida marinha fazem com que este seja considerado por muitos mergulhadores um ‘hot spot’.

 

Para além do mergulho, o mar é um autêntico oásis para baleias e golfinhos, proporcionando viagens de barco dignas de documentários. Para os amantes dos desportos radicais, há 104 locais sinalizados para a prática de canyoning  (atividade da qual já vos falei aqui). Algo mais calmo mas com a mesma potencialidade é o turismo holístico, que alia a natureza a fins terapêuticos. O lado selvagem e quase intocável das ilhas torna-as o destino ideal para relaxar e meditar.

 

Entre o mar e a terra, os Açores são o destino de sonho para quem quer estar junto da natureza no seu estado mais puro. Um verdadeiro paraíso perdido no meio do Oceano Atlântico.

 

Como lá chegar

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- Há várias companhias a voar para os Açores. As mais conhecidas são SATA (para todas as ilhas), TAP, Ryanair e Easyjet (só para algumas ilhas).

 

- Pode viajar entre ilhas de avião ou de barco. De barco só aconselho entre as Ilhas do Triângulo (São Jorge, Pico e Faial), Flores-Corvo e São Miguel-Santa Maria.

 

- Quem voar para Ponta Delgada (São Miguel), numa companhia low cost, pode pedir um voo gratuito para outra ilha através da SATA, desde que não fique mais de 24 horas em São Miguel. O site www.encaminhamentos.sata.pt conta-lhe tudo.

 

Dicas para quem nunca se perdeu pelos Açores

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- As nove ilhas dos Açores estão divididas em três grupos: Ocidental (Flores e Corvo), Central (Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial) e Oriental (São Miguel e Santa Maria).

 

- Açores também é Portugal, a nossa capital é Lisboa, a nossa língua é também o português, apesar de termos uns sotaques "estranhos".

 

- Falando em sotaques. Se for a outra ilha que não São Miguel, por favor não diga que as pessoas não falam açoriano. Não há um sotaque açoriano, todas as ilhas têm sotaque diferente.

 

- Para conhecer as ilhas o melhor é alugar carro. Os transportes públicos não funcionam muito bem e em algumas ilhas nem há. Há também táxis e tours que mostram as principais paisagens. Ah! E nas ilhas mais pequenas os habitantes costumam oferecer boleia.

 

Pormenores&Curiosidades

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- O povoamento dos Açores começou em 1432.

 

- Neste momento há 245.766 habitantes no arquipélago, 138.369 deles na ilha de São Miguel e 440 na ilha mais pequena, o Corvo.

 

- Tem uma área total de 2 325 km2.

 

- Fica a uma distância de 1 600 km do continente europeu e a 3 400 km do americano.

 

- Estas ilhas são de origem vulcânica, mas não se preocupe que não há erupções todos os dias! A última foi em 1999, uma erupção submarina ao largo da ilha Terceira, mas que não causou dano. A mais forte foi o Vulcão dos Capelinhos, na ilha do Faial, que esteve ativo 13 meses, entre 1957 e 1958. Por vezes há tremores de terra, mas provavelmente nem os vai conseguir sentir.

 

 

04
Jul17

Camping de luxo em Terra alentejana

NNC

 

Encontrar a Terra Eco Camping in Luxury pode ser complicado, mas relaxe porque esta é a única altura em que vai stressar durante a estadia.

 

A partir do momento em que encontrar este acampamento ecológico de luxo, localizado junto à freguesia de São Teotónio, em Odemira, na costa alentejana, tudo o que vai sentir é paz e boas energias.

 

As românticas tendas Rajasthani e os tipis indianos sobressaem na bela paisagem de vida selvagem que os rodeia. Os cães e gatos dão as boas-vindas mesmo antes de chegar à simpática receção, onde lhe dão dicas para usufruir em pleno.

 

Há um lago privado onde pode nadar ou divertir-se a andar de caiaque e um areal com um bar de caipirinhas e smoothies.Ao final da tarde pode receber uma massagem ou andar de cavalo. Nas alturas de maior afluência há cinema ao ar livre, workshops de agricultura e aulas de yoga.

 

Além do pequeno-almoço com produtos biológicos (com uma manteiga de amendoim caseira de bradar aos céus) pode também fazer outras refeições, basta reservar.

 

E por falar em céu, à noite aproveite para observar as milhares de estrelas e relaxar na tenda chill out com a sua companhia e um copo de vinho alentejano. Mas não abuse! Os galos e o burro irão acordá-lo às 5h00 para mais um dia.

 

Uma estadia 5 estrelas. Onde apenas melhorava as casas de banho. Como aqui tudo é biológico e a pensar na natureza, os WC não têm autoclismo. Os dejetos são tapados com farelo de madeira. Confesso que me fez um bocadinho de confusão, mas se já for preparado para isso consegue lidar com a situação.

 

As reservas podem ser feitas através do site do A Terra. Duas noites para quatro (durante a semana) ficou a menos de 50 euros por pessoa.

 

Se quer saber mais sobre o Terra Eco Camping in Luxury consultar aqui o artigo que escrevi para a revista Sexta do Correio da Manhã

08
Abr17

Canyoning: é proibido ter vertigens!

NNC

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Apesar de não ser muito adepta de alturas e de desportos radicais, tinha curiosidade de experimentar canyoning há algum tempo. O ano passado, durante as férias de verão na "minha" paradisíaca ilha das Flores, nos Açores, decidi que era a altura de ultrapassar os meus medos e colocar a minha coragem à prova.

 

Fiz um dos percursos mais fáceis, tremi um pouco, tive receio, mas graças ao fantástico trabalho do Marco, da WestCanyon Turismo e Aventura, consegui ultrapassar as barreiras. Foi uma experiência arrebatadora, cheia de slides, descidas a pique, escorregas que nasceram na própria natureza e mergulhos numa ribeira rodeada de árvores, arbustos e ar puro.

 

Ainda com a adrenalina a correr nas veias e com as pernas a tremer, decidi que no próximo verão voltaria a repetir esta arrebatadora experiência da qual podem ver alguns momentos no vídeo abaixo:

 

 

 

Canyoning na ilha das cascatas

A ilha das Flores concentra a maioria dos percursos de canyoning dos Açores (40 em 100) e a maior diversidade de percursos, desde grandes verticais (cascatas) a percursos simples. 

 

Em 2016, esta ilha recebeu, pela segunda vez em poucos anos, um encontro internacional de praticantes de canyoning que contou com 220 praticantes autónomos e experientes, oriundos dos mais diversos países do mundo. 

 

Com estes dados facilmente conclui que esta ilha perdida no meio do oceano é dos melhores locais de Portugal para praticar (ou experimentar) canyoning. Já me disseram que na ilha de São Jorge, também nos Açores, no Gerês e na Madeira também há bons 'spots'.

 

Mas puxando mais uma vez a "brasa à minha sardinha", aposto que nenhum destes locais, por mais bonitos que sejam, tenham um percurso de canyoning que começa numa ribeira, passa por uma cascata e termina no mar. O canyoning da Barrosa, nas Flores, é com certeza um dos mais bonitos e emocionantes de Portugal. Ora vejam:

 

 

 

Mas e o que é o Canyoning?

É uma atividade desportiva e de lazer, com algum risco, muita adrenalina e algumas vertigens. Consiste na descida de cursos de água com fortes declives, como rios ou cascatas, utilizando cordas e recorrendo a saltos para transpor obstáculos, utilizando equipamento adequado, material de segurança e uma grande dose de coragem. Esta é uma atividade que à partida garante emoções fortes e momentos inesquecíveis. Além de ser brindado com paisagens luxuriantes e com piscinas naturais límpidas nas quais poderá nadar e desfrutar da natureza que o rodeia.

Se quer saber mais sobre esta prática e ver mais fotos brutais desta modalidade pode consultar aqui o artigo que escrevi para a revista Sexta do Correio da Manhã

 



01
Mar17

O bar mais bonito do mundo fica nos Açores

NNC

 

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                                                                                                                                Foto de Fernando Guerra

 

Eu sei que sou açoriana e sou suspeita para falar destas encantadoras ilhas. Mas acreditem! Não fui eu que o designei assim. Em menos de dois anos de existência, o Cella Bar, localizado na Vila da Madalena, na ilha do Pico, já ganhou fama mundial e até distinções. Em 2015, poucos meses depois de abrir, foi homenageado com um prémio da prestigiada plataforma online de arquitetura ArchDaily, onde foi considerado um dos mais bonitos espaços de hotelaria do mundo.

 

Na altura, escrevi sobre ele e hoje decidi recordar esse texto porque, nos últimos dias, a ilha montanha tem sofrido com o mau tempo e este conhecido espaço foi completamente arrasado pela força das ondas do mar. As imagens que me chegaram são devastadoras e o Cella Bar está irreconhecível, mas acredito que o Filipe Paulo e o Fábio Matos vão conseguir reerguer este projeto que de tanto orgulho enche os açorianos.

 

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A história do Cella Bar

Dois amigos naturais do Pico, Açores, decidiram abrir um bar na Vila da Madalena. O objetivo de Filipe Paulo e Fábio Matos era dar à ilha um espaço que se destacasse a nível internacional, onde se pudesse conviver, petiscar e beber.

 

O que nunca pensaram foi que em menos de um ano o Cella Bar fosse notícia por todo o Mundo e distinguido pela ArchDaily, uma plataforma digital de divulgação e informação de arquitetura, como prémio de Edifício do Ano 2016 na categoria de Hospitalidade.

 

O tão afamado bar está dividido em dois espaços: um restaurante numa casa recuperada construída com pedra vulcânica e um bar de madeira de criptomérias feito de raiz e inspirado no vinho e no mar, obra de Fernando Coelho, da FCC Arquitetura.

                                                                                                 

O arquiteto conseguiu unir, de uma forma perfeita, a traça original da adega antiga com a estrutura contemporânea.

                                                                                                                                

A esplanada, no topo do bar, é também zona de destaque. Aí poderá desfrutar de tapas regionais com um bom vinho feito no Pico, de uma deslumbrante vista para a vizinha ilha do Faial e para os ilhéus ‘Deitado’ e ‘Em Pé’. Depois do pôr do sol pode sempre passar pelo restaurante, onde há pratos mais substanciais mas sempre com ligações à terra e ao mar açoriano. Pela noite dentro, há ainda licores de produção local para provar e, aos fins de semana, animação noturna que pode incluir música ao vivo ou karaoke.

 

Saiba mais sobre o Cella Bar no meu artigo publicado no site do Correio da Manhã aqui ou no artigo da revista Sexta aqui: Cella Bar 1.PDF

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