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Perdida por Lisboa

A capital vista pelos olhos de uma açoriana...

Perdida por Lisboa

26
Jan18

Flores, a "minha" ilha

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Antes de começar a falar da “minha” ilha, tenho de ser sincera. Demorei meses a ter coragem para escrever este post. As razões são as mais variadas. É difícil escolher o essencial quando o geral não é o mais importante. Para mim, a ilha das Flores é um todo, de afetos, de paisagens, de memórias e recordações que me trazem, na maioria das vezes, sentimentos ambíguos. É árduo escolher os melhores lugares a visitar sem apresentar um post de um quilómetro, selecionar fotos quando acho que as imagens não mostram a essência desta ilha e optar por palavras para definir uma terra tão pequena e tão grande ao mesmo tempo que só o coração consegue absorver… mas como vos prometi em julho 9 posts, 9 ilhas… aqui fica o último:

 

Flores, a ilha das cascatas

Dizem os livros de história que lhe chamaram Ilha de São Tomás e depois Santa Iria. Mas, obstinada desde o início, foi ela que escolheu o seu próprio nome. A abundância de flores amarelas que revestiam toda a superfície da ilha não deixou margem para dúvidas, o nome desta pequena terra era desde o nascimento, Flores. Dos cubres restam apenas amostras, mas a denominação continua a fazer sentido. Nos meses de verão, as encostas e os vales cobrem-se de milhares de hortênsias de cor azul, que dividem as terras de mil verdes e dão outra cor às margens das ribeiras e lagoas.

 

E quem a visita é isso que vê. A beleza natural, autêntica e quase virgem de um pedaço isolado de paraíso no meio do imenso oceano atlântico. Uma terra tranquila, de 1001 cascatas, de piscinas naturais com temperaturas amenas, de fenómenos geológicos estranhos e de histórias de aventura e de encantar. Mas o mesmo isolamento que faz desta ilha uma das mais bonitas do mundo, é um pau de dois bicos.

 

Quem aqui vive é sortudo, mas é também sobrevivente. Sobrevivente ao peso de residir na fronteira mais ocidental da Europa, a meio caminho entre o continente europeu e o americano, entre tempestades que ora trazem chuva e vento, ora dão à ilha uma vegetação luxuriante. Os florentinos vivem permanentemente divididos entre as saudades dos que partem, a rotina que todos conhecem e as falhas difíceis de combater numa terra tão pequena. Aqui, não há hospitais, há apenas um centro de saúde e os casos mais graves são evacuados. Aqui, as grávidas têm de viajar para outra ilha um mês antes de ter os filhos. Aqui, muitos alimentos frescos teimam ainda em não chegar. Aqui, não há cinema, centro comercial, dezenas de restaurantes e cafés, milhares de pessoas. É verdade. Aqui, neste éden, ainda desconhecido por muitos portugueses, não há perfeição… mas está muito perto dela.

 

A SATA é a única companhia aérea a voar para as Flores e se viajares a partir do continente tens obrigatoriamente de fazer escala em pelo menos uma outra ilha. Consulta os preços aqui.

 

O que não podes perder:

Sete Lagoas 

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Entre as verdejantes matas -  que os florentinos chamam de “mato” -  vais encontrar sete crateras de vulcões tornadas lagoas. As minhas preferidas vêm em dose dupla porque a paisagem contempla as duas. São elas a Caldeira Negra e a Lagoa Comprida (na imagem), que ficam perto da freguesia da Fajã-Grande, e a Funda e a Rasa, perto da vila das Lajes.

 

Rocha dos Bordões – Este fenómeno geológico com cerca de 570 mil anos provoca muita curiosidade nos visitantes. O morro alto rodeado de “bordões” é o resultado da solidificação de basalto em altas estrias verticais. Se fores no mês de julho esta rocha vai estar ainda mais bonita pois enche-se de hortências que lhe dão uma tonalidade azul.

 

Poço da Ribeira do Ferreiro – Este local (primeira foto deste post) é também conhecido por Poço da Alagoinha, ou Lagoa das Patas. Mas o nome pouco interessa.  A sensação, ao chegar aqui, é de ter encontrado o Éden. Uma lagoa onde desabam dezenas de cascatas rodeadas, com uma luxuriante vegetação de onde saem libelinhas e por vezes até patos. Para chegar aqui tens de fazer um trilho de cerca de 20 minutos, onde o único som que vais ouvir é o chilrear dos pássaros e o correr das ribeiras.

 

Miradouro Craveiro Lopes - Esta ilha é rica em trilhos e vistas magnificentes. O miradouro Craveiro Lopes é exemplo disso. Uma visão panorâmica sobre o vale da Fajãzinha, com o Poço da Ribeira do Ferreiro à direita e o mar em frente.

 

Fajã Grande 

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É das freguesias mais bonitas da ilha e a principal zona de veraneio. E para mim, tem também o pôr-do-sol mais bonito do mundo.

 

Ilhéu do Monchique – Junto à costa oeste da ilha encontra-se o ponto mais ocidental da Europa. Um rochedo oceânico que já foi ponto de referência para os barcos acertarem as rotas. Aproveita para o conhecer durante uma volta de barco à ilha com a Extremo Ocidente. Durante essa viagem podes também conhecer outros ilhéus, grutas, cascatas que desabam no mar e até quem sabe ser surpreendido por golfinhos.

 

Poço do Bacalhau 

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Queda de 90 metros de altura, que se despenha numa lagoa natural e convida a um mergulho que dificilmente irás recusar. Se gostas de ter como companhia adrenalina, aventura e emoções fortes aproveita para fazer canyoning com a West Canyoning que já vos falei aqui

 

Moinho da Fajãzinha – Aqui o milho ainda é moído como antigamente. Os locais levam o seu milho, pagam um x e levam a farinha para casa moída de uma forma artesanal. A senhora Fátima, que explica com todo o amor o processo de moagem a quem por lá passa, garante que o pão feito com esta farinha é 2mil vezes mais saboroso":

 

Mergulhar no Slavonia – A ilha das Flores é rica em spots para os amantes de mergulho. Um dos locais mais procurados fica ao largo do Lajedo. O navio inglês Slavonia é um dos 700 naufrágios que ocorreram nos Açores entre o século XVI e XX. Para marcares um mergulho fala com a Extremo Ocidente.

 

Piscinas naturais 

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Nas Flores, há apenas uma praia. Fica na vila das Lajes, mas, desculpem os lajenses, eu não gosto. Prefiro a zona balnear da Fajã Grande e as piscinas de Santa Cruz. Em 2017, foi inaugurada uma nova piscina natural nesta vila e da qual fiquei fã. Chama-se Piscina das Salemas, tem vista para a vizinha ilha do Corvo, mar cristalino, cheio de peixes coloridos, búzios e estrelas do mar.

 

Museu Fábrica da Baleia do Boqueirão - Aqui história da indústria baleeira é contada através de fotografias, registos e memórias da época. A minha parte preferida foi os testemunhos dos mestres baleeiros que contam em vídeo momentos da fauna.

 

Farol do Albernaz – É o Farol mais Ocidental da Europa. Foi inaugurado em 1925, está localizado na deslumbrante falésia de Ponta Delgada e tem uma ampla vista para o Corvo. Se o faroleiro de serviço estiver disponível mostra a torre de 1.95 metros e explica a história do edifício, assim como algumas curiosidades sobre o mar dos Açores.

 

Alagoa 

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Entre a Fazenda de Santa Cruz e os Cedros existe uma estreita estrada que nos transporta para uma paisagem deslumbrante. Nesta pequena baía, além da vista, tem um parque de campismo e uma cascata.

 

Onde e o que comer:

Restaurante Pôr-do-Sol – Neste espaço, localizado na freguesia da Fajãzinha, podes deliciar-te com a comida típica da ilha enquanto observas um dos mais bonitos crepúsculos de Portugal. A entrada é constituída por bolo do tijolo (típico dos Açores), doce caseiro, queijo da ilha e torresminhos. Quanto aos pratos principais, aconselho a linguiça com inhame, o feijão assado no forno de lenha, morcela com batata doce e as tortas de erva-do-calhau (algas).

 

O Pescador – Neste restaurante da freguesia de Ponta Delgada há sempre peixe e marisco fresco. Os filetes de peixe-porco, o bife de tubarão e o cavaco são os pratos mais procurados.

 

Onde dormir:

Aldeia da Cuada – Aldeamento turístico onde o tempo parece parado. Recorda o post que escrevi sobre este alojamento aqui.

 

Hotel Flores – Ótima opção para quem quer uma estadia mais luxuosa. Este hotel de quatro estrelas do Inatel tem uma vista encantadora para o Corvo, uma piscina infinita, ginásio, restaurante e sala de jogos.

 

Festas:

Festas do Espírito Santo – Sete semanas depois da Páscoa, realizam-se uma das principais festas religiosas dos Açores. Há missas e procissões em homenagem à terceira pessoa da Santíssima Trindade e dão-se “sopas de carne” para pagar as promessas feitas em momentos de aflição.

 

Festa do Cais das Poças – É, neste momento, a melhor festa da ilha. Realiza-se na vila de Santa Cruz no primeiro fim de semana de agosto.

 

Bailaricos – Todos os fins de semana, de junho a setembro, há festas populares pelas freguesias da ilha. Há bailarico e tascas com comes e bebes.

 

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02
Dez17

São Miguel, a ilha dos mil vulcões

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Tenho uma paixão especial por São Miguel. Foi nesta ilha, a maior dos Açores, que tirei a minha licenciatura e vivi três dos melhores anos da minha vida. Além das pessoas que conheci e que vão ficar sempre no meu coração, tive o prazer de viver num dos locais mais bonitos do mundo. Passaram quase dez anos desde essa altura. Muita coisa mudou, o turismo cresceu substancialmente, mas há algo que ainda permanece intocável: a impressionante “luz verde” de São Miguel, retratada por Raúl Brandão, no livro 'As Ilhas Desconhecidas', e observada por todos os que visitam esta ilha. Às “grandes árvores de sonho” e aos jardins “de um verde cerrado e magnético” junta-se os encantos de uma ilha onde os vulcões extintos teimam em se fazer sentir com alguma intensidade e muito encanto.

 

São Miguel é a mais acessível das ilhas. Seja a nível de custo, seja a nível de possibilidades de viagem. Há voos diretos do Porto e de Lisboa com a RyanairTAP ou SATA

 

O que não pode perder:

Ponta Delgada 

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                                                                                                                                                                                                          Crédito: Visual Hunt

A capital administrativa dos Açores alia um encantador património histórico à beleza da sua baía natural. Quem visita esta cidade não pode deixar de passear pelos românticos jardins, atravessar as Portas da Cidade, visitar a Igreja de Santo Cristo e fazer uma refeição pelas Portas do Mar.

 

Caloura – Localizada em Água de Pau, esta zona costeira é o local ideal para fazer um programa que agrade a toda a família. Tem um porto de pesca, uma piscina enchida com água do mar e acesso ao mar límpido e de temperaturas amenas que rodeia São Miguel. Depois de uma tarde bem passada nesta zona de veraneio, aproveite para se deliciar com o peixe fresco acabado de pescar e servido no Caloura Hotel Resort.

 

Sete Cidades 

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A lagoa das Sete Cidades é uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal e um verdadeiro éden. Duas lagoas juntas por uma lenda que conta a história de amor impossível entre uma princesa e um pastor. As lágrimas da princesa terão feito a lagoa azul, enquanto o choro dos olhos verdes do pastor formou a verde. De triste fica apenas a história, porque perante tamanho encanto, só nos apetece sentar e contemplar a paisagem. O miradouro mais conhecido para observar estes 19 quilómetros de vulcão, onde caberia toda a ilha do Corvo, é o da Vista do Rei, mas desde que as low cost aterraram nesta ilha, é difícil tirar uma foto daqui sem ter algum emplastro na imagem. Por isso, suba ao hotel abandonado Monte Palace e veja como o caos e a beleza aqui se unem tão perfeitamente.

 

Lagoa do Fogo – O acesso o miradouro da serra da Barrosa não é fácil, mas as curvas apertadas são esquecidas ao contemplar a lagoa do Fogo. Apesar de ser menos conhecida do que a Lagoa das Sete Cidades, há quem a considere mais bonita. Aproveite para fazer parapente e ver a lagoa de outra perspectiva.

 

Furnas 

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                                                                                                                                                                                                              Crédito: Visual Hunt

Com cerca de 750 mil anos de história geológica, o vale das furnas esconde verdadeiros tesouros e é um dos principais postais desta ilha. Fumarolas em permanente ebulição, a Poça da Beija (encantadora piscina termal com águas a 39º a funcionar até às 23h00 – 4 euros), o Parque Terra Nostra (um gracioso jardim botânico com uma piscina de águas férreas) e a lagoa das furnas – onde é feito o emblemático cozido. Um dos restaurantes mais conhecidos onde pode provar esta especialidade chama-se Vale das Furnas.

 

Caldeira Velha – Cascata de águas termais onde é possível tomar banhos quentes. Não se deixe intimidar pela cor acastanhada, a pigmentação deve-se ao ferro e os habitantes dizem que faz bem à pele. Dica: leve um fato de banho velho pois corre o risco deste ficar amarelecido. Preços e horários aqui.

 

Chá da Gorreana – Do encantador miradouro de Santa Iria pode ver a mais antiga plantação de chá da Europa. Desça até às plantações e visite a fábrica de Chá da Gorreana, que funciona desde 1883 e já passou por cinco gerações.

 

Ilhéu de Vila Franca 

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                                                                                                                                                                                                          Crédito: Visual Hunt

Em pleno oceano Atlântico, junto à costa de Vila Franca do Campo, localiza-se um ilhéu de beleza ímpar. Uma piscina natural, de águas cristalinas e temperaturas amenas, formada dentro de uma cratera de um vulcão submarino adormecido. De junho a setembro, há um serviço regular de barco que parte do porto da vila em direção ao ilhéu, mas vá cedo porque há limite de entradas e, por vezes, algumas horas de fila. Todos os anos realiza-se aqui uma das etapas da competição internacional de mergulho Red Bull Cliff Diving.

 

Surf – Nos últimos anos, São Miguel tornou-se um dos destinos de eleição para os praticantes de surf e bodyboard. Pode alugar o material necessário para surfar as aprazíveis ondas dos Açores em vários pontos da ilha, mas a melhor praia para praticar este desporto é em Santa Bárbara, no concelho da Ribeira Grande.

 

Observação de Aves  –  Cada vez mais praticantes desta atividade visitam São Miguel para conhecer o priolo, uma das aves mais raras do Mundo e que só pode ser encontrada aqui (clique para saber mais).

 

Onde e o que comer:

Botequim Açoriano 

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                                                                                                                                                                                           Crédito: Botequim Açoriano

Restaurante locailizado na freguesia de Rabo de Peixe. Apesar da fama menos positiva desta localidade piscatória, não se deixe intimidar. Neste espaço vai encontrar alguns dos melhores pratos regionais com um toque de requinte, como por exemplo mariscos de excelência como o cavaco da foto (Facebook).

 

Anfiteatro – Este restaurante é uma extensão da Escola de Formação Hoteleira de Ponta Delgada. Como tal, alia os melhores produtos açorianos á cozinha de autor (Facebook).

 

Bife da Associação Agrícola - O melhor bife à regional fica neste restaurante localizado na cidade da Ribeira Grande (Facebook).

 

A Tasca - Aqui o melhor é reservar. Este restaurante, que alia gastronomia a música e arte ao vivo, fica em Ponta Delgada e está sempre cheio. Por alguma razão será, não é verdade?! (Facebook)

 

Cantinho dos Anjos –  Bar com decoração náutica que já existe há muitos anos e onde se junta a juventude da cidade de Ponta Delgada. Já lá fiz muitas noitadas e tenho grandes memórias deste bar (Facebook).

 

Louvre Micaelense – Já foi uma chapelaria e uma loja de fazendas importadas de França. Hoje os produtos são sobretudo açorianos. Chás, conservas, compotas e outras coisas muito boas. Prove o bolo de chocolate (Facebook).

 

Tem ainda de provar: o ananás das estufas Arruda, na Fajã de Baixo, e os bolos lêvedos da senhora Glória, feitos no momento, nas Furnas.

 

Onde dormir:

Furnas Boutique Hotel – Envolvido pela mística natureza das Furnas, este hotel é o local ideal para descansar e provar novos sabores construídos através de produtos locais. Nasceu a partir das antigas termas desta freguesia do concelho da Povoação. Tem 55 quartos, spa com piscinas termais, salas de tratamento, um restaurante com forno de lenha – À Terra – um bar forrado a discos de vinil e uma pequena loja de artigos típicos da ilha que mais parece uma mercearia (Facebook).

 

Santa Bárbara Eco Beach Resort – Entre a praia de Santa Bárbara e a montanha da lagoa do Fogo nasceu o primeiro eco resort de praia dos Açores. O hotel, de quatro estrelas, foi construído com cortiça e madeira. A decoração transpira a natureza do arquipélago. Aqui sente-se as ilhas na sua essência mais pura (Facebook).

 

 

Festas:

Santo Cristo dos Milagres – São as maiores festas religiosas dos Açores e realizam-se em maio.

Festa do Chicharro – As minhas festas preferidas de São Miguel. Realizam-se na segunda semana de julho, na freguesia da Ribeira Quente.

 

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21
Out17

Santa Maria, a ilha amarela

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                                                                                                                                                                                                              Crédito: Pixabay

Já fui duas vezes a Santa Maria e a impressão que tenho é que é a menos açoriana das ilhas. Raul Brandão chamou-lhe de Amarela, por ser a única ilha dos Açores com praias de areia dourada. Mas Santa Maria é muito mais do que isto. Tem uma paisagem bipolar, com um lado seco e árido e outro em vários tons de verde.

 

É a mais antiga do arquipélago e por isso apelidada de ilha-mãe. Foi a primeira a ser colonizada e, ao contrário das outras ilhas, não tem vulcanismo ativo. É a mais oriental, a mais quente e com o verão mais longo. As suas águas cristalinas chegam aos 25 graus no verão permitindo mergulhos até durante o inverno. Tem as melhores e mais doces meloas e um Centro de Controlo Oceânico que vigia todo o espaço aéreo entre Nova Iorque e Lisboa. Apesar disso, para lá chegar, terá de fazer escala em São Miguel.

 

SATA tem voos diários de Ponta Delgada para Santa Maria que duram cerca de 15 minutos e custam aproximadamente 50 euros.

 

O que não pode perder:

Praias douradas – Esta é a única ilha da região que em vez de areais de cor negra tem areia branca. A praia de São Lourenço é muitas vezes comparada ao Algarve e, em 2013, o jornal ‘The Guardian’ elegeu a praia Formosa como uma das 20 mais bonitas do Mundo.

 

Mergulhar com jamantas e tubarões-baleia

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                                                                                                                                                                                                                 Crédito: Pixabay

Um das experiências mais procuradas pelos mergulhadores que visitam os Açores é poder mergulhar com jamantas, que nadam tranquilamente a poucos metros de profundidade junto à Baixa do Ambrósio, em Santa Maria. Durante o mergulho, com garrafa ou em apneia, pode ser surpreendido pelo maior peixe do Mundo. É que os tubarões-baleia adoram as águas cristalinas e quentes da região. Os melhores meses para fazer estes mergulhos são entre junho e novembro. O preço varia entre os 35 e os 200 euros e pode fazer marcação com uma das seguintes empresas: MantamariaParalelo ou Dollabarat Sub.

 

Pico Alto – É no ponto mais alto da ilha que se tem percepção da dupla personalidade da paisagem de Santa Maria. A zona oriental tem vegetação densa e a zona ocidental uma costa árida. Em dias de bom tempo, consegue avistar a vizinha ilha de São Miguel.

 

Poço da Pedreira – Antiga pedreira onde foram exploradas escórias basálticas para a construção das tradicionais casas de Santa Maria. Na base das paredes verticais, de tons avermelhados, formou-se um lago tornando o lugar ainda mais pitoresco e curioso.

 

Ribeira de Maloás – Esta ribeira é uma das mais belas formações com que a atividade vulcânica presenteou a ilha de Santa Maria e todo o arquipélago dos Açores. A queda de água, com cerca de 20 metros de altura, que corre sobre uma formação geológica resultante do contacto do mar com uma escoada lávica, faz com que este local seja ideal para iniciantes na prática de canyoning.

 

Barreiro da Faneca 

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                                                                                                                                                                                           Crédito: Turismo dos Açores

Apelidada de ‘Deserto Vermelho’, esta superfície árida e argilosa de cor avermelhada constitui a única paisagem desértica dos Açores.

 

Ilhéus das Formigas – Tal como já referi quando vos falei do Pico aqui, navegar no mar dos Açores é um dos melhores programas familiares da região. Em Santa Maria, o passeio pode incluir uma passagem pelo Ilhéu do Romeiro ou uma visita aos ilhéus das Formigas.

 

Cascata de Aveiro – Para chegar a esta cascata, tem de atravessar um passadiço por cima de um pequeno lago com patos que vai adorar. Mas é no final do percurso que vai ficar de boca aberta: uma imponente queda de água com cerca de 100 metros de altura que termina num lago, onde poderá dar um refrescante mergulho.

 

Grande Rota – Cinco trilhos unidos num só com 78 km (a ilha tem 97) que pode fazer por fases. Os percursos podem durar entre 4h30 e 8h00.

 

Observação de Aves – Tal como já vos falei no post sobre o Corvo, o arquipélago dos Açores é cada vez mais procurado por birdwatchers. Santa Maria é a ilha mais privilegiada para a observação de aves. Pode observar mais de 221 espécies, entre as quais, 25 endémicas. Se tiver sorte, pode conseguir tirar uma fotografia à estrelinha-de-santa-maria, a mais pequena ave europeia. Saiba mais aqui: Smatur.

 

Ermida dos Anjos

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                                                                                                                                                                                         Crédito: Turismo dos Açores

Os marienses juram a pés juntos que este é o templo mais antigo dos Açores e que foi aqui que a tripulação de Cristóvão Colombo rezou na viagem de regresso após o descobrimento da América. Dentro do edifício há uma vara, de 1675, que serviu para chicotear os piratas quando estes queriam levar os habitantes da ilha como escravos.

 

Onde e o que comer:

Pipas – Espaço rústico e acolhedor, que serve pratos da gastronomia típica, com destaque para os grelhados no carvão, peixe fresco, carne e enchidos da ilha e ainda para a doce e famosa meloa de Santa Maria (Facebook)

Central Pub – Este bar concentra vários serviços num só espaço. Serve pequenos-almoços, refeições ligeiras, pizzas de comer e chorar por mais, música ao vivo em alguns fins de semana e karaoke noutros. Além disto, é o bar mais frequentado da ilha e onde, ao fim de semana, pode encontrar clientes de todas as idades (Facebook)

Concorde – Localizado em pleno aeroporto, este restaurante oferece uma ementa ‘low cost’ e refeições ‘à la carte’. A ementa varia consoante os produtos frescos do dia, mas há sempre marisco, peixe fresco e carne açoriana de alta qualidade (Facebook)

Onde dormir:

Casa da Avó – Se quer usufruir da tranquilidade de Santa Maria, a Casa da Avó é o sítio ideal. Aqui convivem, em plena harmonia, a decoração tradicional e o conforto da modernidade (Facebook)

Charming Blue – É o hotel mais recente de Santa Maria. Foi inaugurado em 2016 e transformou-se desde logo num dos alojamentos mais procurados pelos turistas. Além da estadia, numa antiga casa senhorial do século XIX, o hotel tem também um dos melhores restaurantes da ilha: o Mesa d’Oito (Facebook)

Festas:

Nossa Senhora da Assunção – As festas em honra da padroeira da ilha decorrem a 15 de agosto.

Maré de Agosto – É o festival mais conhecido dos Açores. Tem fama internacional e tem lugar todos os anos na Praia Formosa.

 

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12
Set17

Corvo, a ilha mais pequena dos Açores

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É a ilha mais pequena dos Açores, com uma área de apenas 17 km² e cerca de 400 habitantes, mas é muito mais do que isto. Um lugar completamente diferente que chega a ser difícil descrever.

 

Aqui todos se conhecem, não há casas roubadas nem trancas à porta, as fechaduras são conhecidas por serem de madeira e as mentes são tudo menos fechadas. Aqui, as leis, sejam elas de trânsito, de justiça ou sociais são feitas pelos corvinos. Aqui, vive-se com liberdade, com respeito e com vontade. Aqui, não há solidão, as redes sociais são uma janela aberta para o mundo, as viagens são feitas sempre com a determinação de voltar e a modernidade chega com respeito ao passado. Aqui, pequeno só o tamanho da terra, porque a união é grande, a alegria é imensa e a vontade de receber é ainda maior.

 

Apesar deste ano não ter conseguido ir ao Corvo, algo que por vezes acontece devido ao tempo ou estado do mar, no verão de 2016 fui e adorei. Há 11 anos que não fazia a travessia das Flores para o Corvo e achei uma grande diferença quando atracamos. As ruas estão mais limpas, a vila está arranjada e há edifícios novos feitos com mestria. A viagem de semi-rígido, com a Extremo Ocidente, é lindíssima. Dura 45 minutos e antes de navegarmos até alto mar o Carlos mostra-nos a beleza da rocha florentina. Há ilhéus, grutas e até cascatas. E se tiveres sorte, podem aparecer golfinhos e baleias para acompanhar a viagem.

 

Se preferires viajar de avião fica a saber que não há voos diretos a partir do Continente. Para fazer apenas uma escala o melhor é viajar até ao Faial ou São Miguel e seguir para o Corvo num voo inter-ilhas da SATA.

 

O que não podes perder:

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Vila do Corvo – É a única povoação da ilha e o concelho mais isolado de Portugal. As suas ruas estreitas e tortuosas são localmente conhecidas como "canadas", as casas são geralmente baixas, e combinam fachadas de pedra negra com portas e janelas brancas. Na minha opinião, o melhor que podemos fazer nesta vila é sentar num café, conviver com os corvinos e observar as suas vivências. Para eles, a insularidade e o isolamento são apenas palavras que o vento leva para outras paragens.

 

Caldeirão – Com 2.3 quilómetros de diâmetro e 300 metros de profundidade, a lagoa do Caldeirão é o ex-líbris do Corvo e um dos locais mais calmos onde já estive (primeira foto do post). O silêncio só é quebrado por alguma ave que sobrevoe o local ou por uma das vaquinhas que aprecia calmamente as pastagens. A população acredita que os pequenos ilhéus que estão dentro da cratera representam cada uma das 9 ilhas dos Açores.

 

Moinhos de Vento –  É na Ponta Negra e com uma deslumbrante vista para as Flores que três moinhos do século XIX encantam os visitantes.

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Centro de Interpretação Ambiental e Cultural – Aqui podes compreender as especificidades ambientais e culturais da ilha.

 

Igreja Nossa Senhora dos Milagres – Reza a lenda, que no século XVI, aquando de um ataque pirata foi a imagem de Nossa Senhora do Rosário que protegeu os corvinos das balas dos inimigos. Um milagre que motivou a mudança de nome da padroeira da igreja do Corvo. Apesar do edifício ser pequeno, a escultura flamenga é muito valiosa.

 

Mergulhar no Caneiro dos Meros – Em 1998, pescadores e mergulhadores do Corvo acordaram ter a única Reserva Marinha Voluntária dos Açores. 17 anos depois, o resultado é um dos mais procurados lugares de mergulho de Portugal. Uma autêntica utopia onde além dos afáveis meros, que disputam por atenção, a vida marinha é diversificada e intensa.

 

Praia da Areia

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A areia é escura, mas a água é cristalina e de temperaturas amenas. Ideal para fazer snorkeling e observar a vida marinha.

 

Cara do Índio – Escarpa esculpida pela mãe natureza de forma a parecer a cara de um índio.

 

Observação de Aves – O Corvo começa a ser um dos destinos mais procurados por ‘birdwatchers’ de todo o Mundo. Tanto que, em outubro, as viagens para lá já estão esgotadas pois é neste mês que as aves cruzam o Atlântico, durante as migrações, e param nesta ilha para descansar. No Centro de Recuperação de Aves Selvagens pode observar várias espécies resgatadas e que estão em tratamento.

 

A Casa do Bote - Construída com madeira de pinho e com o chão feito de pedra de calhau rolado, este museu recupera o traçado das antigas casas dos botes baleeiros. Aqui a memória histórica do passado do Corvo é perpetuada através de várias exposições. O espaço, instalado junto ao multiusos, dispõe de computadores que conduzem os visitantes às tradicionais vivências da ilha. Um dos registos mais marcantes são as 500 fotografias da visita do príncipe Alberto do Mónaco aos Açores.

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                                                                                                                  Foto do documentário 'É na Terra não é na Lua' sobre a ilha do Corvo

 

Fechaduras e Boinas – As fechaduras são dos segredos mais bem guardados dos corvinos. Estes utensílios, fabricados pelos artesãos do Corvo, são feitos de madeira e simbolizam a vivência numa ilha pacífica onde todos se conhecem. Já as boinas do Corvo, um barrete feito de lã, remetem ao início do século quando os mestres baleeiros teciam para ocupar as horas vagas passadas em alto-mar.

 

Onde e o que comer:

Restaurante Traineira  - A excelente localização e o peixe fresco do Traineira fazem as delícias dos turistas. Uma das especialidades do restaurante são as tortas de erva do calhau (Facebook).

 

Restaurante Caldeirão – Mais uma vez a simpatia dos corvinos salta à vista. Com ótimo atendimento e com uma ementa variada, que vai desde o peixe fresco à suculenta carne de bovino, qualquer pessoa esquece que está numa ilha onde por vezes faltam alimentos quando o mar teima em não deixar o barco da carga atracar.

 

BBC Caffé&Lounge  – Que é como quem diz, Bar dos Bombeiros do Corvo. É aqui o ponto de encontro dos corvinos mais jovens. Neste bar servem-se refeições, há karaoke, noites de discoteca e até bailes (Facebook).

 

Onde dormir:

Guest House Comodoro – Casa de hóspedes com instalações confortáveis na qual vai sentir que está em família (Facebook).

 

Joe&Vera’s Place – É a única casa particular do Corvo no Airbnb (Facebook).

 

Festas:

Festa de Nossa Senhora dos Milagres – É a maior festa da ilha e realiza-se de 13 a 16 de agosto com concertos para todos os gostos e muitos petiscos.

 

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10
Set17

Até Madonna se perdeu de amores por Lisboa

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“Como é que foste capaz de deixar o sossego dos Açores e vir para a selva?”

 

É uma pergunta que me fazem mais vezes do que esperava… Mas de tantas vezes já ter retorquido, a resposta já está na ponta da língua: “sou como o Marco Paulo, tenho dois amores”. É uma resposta curta  (e um bocado parva...) eu sei, mas é a melhor e mais sincera explicação que posso dar.

 

Tenho orgulho em ser ilhéu e em ser natural do arquipélago mais bonito do mundo e ao qual dou cada vez mais valor, não só pelas paisagens deslumbrantes (algumas das quais já vos mostrei aqui), mas também pela qualidade de vida que se vive na região. O sossego e a paz que se vive nos Açores são difíceis de encontrar noutro lugar.

 

Mas como não apaixonar-me por Lisboa?

Em 1998 vim a Lisboa e foi amor à primeira vista. Muito antes de a nossa capital estar moda já eu desejava com todas as forças viver aqui. Não tinha percepção de quão caro é viver nesta cidade, do trânsito, da falta de lugares para estacionar, da loucura do dia-a-dia, do quão pode ser frustrante ver alguns amigos de meses a meses e de não conseguir fazer nem 1% do que a cidade oferece… mas como não gostar de um lugar que nos presenteia com 220 dias de sol por ano, que tem uma luz fantástica (que se torna ainda mais encantadora ao pôr-do-sol), que a cada canto esconde uma história e uma novidade, que têm 1001 programas para 1001 pessoas diferentes, que todos os dias vive intensamente com eventos que preenchem as ruas, que é livre e deixa-nos ser quem somos?

 

Lisboa é tudo isto e muito mais. Eu não deixei os Açores, apenas optei por ter dois lares muito diferentes e distantes. Vou ser sempre açoriana… mas o meu coração é também alfacinha. E isto não é estranho… até a Madonna, que é a Madonna… se perdeu de amores por Lisboa, não é verdade?!

 

 

Lost in Lisbon........ 😍🇵🇹

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