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Perdida por Lisboa

A capital vista pelos olhos de uma açoriana...

Perdida por Lisboa

02
Dez17

São Miguel, a ilha dos mil vulcões

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Tenho uma paixão especial por São Miguel. Foi nesta ilha, a maior dos Açores, que tirei a minha licenciatura e vivi três dos melhores anos da minha vida. Além das pessoas que conheci e que vão ficar sempre no meu coração, tive o prazer de viver num dos locais mais bonitos do mundo. Passaram quase dez anos desde essa altura. Muita coisa mudou, o turismo cresceu substancialmente, mas há algo que ainda permanece intocável: a impressionante “luz verde” de São Miguel, retratada por Raúl Brandão, no livro 'As Ilhas Desconhecidas', e observada por todos os que visitam esta ilha. Às “grandes árvores de sonho” e aos jardins “de um verde cerrado e magnético” junta-se os encantos de uma ilha onde os vulcões extintos teimam em se fazer sentir com alguma intensidade e muito encanto.

 

São Miguel é a mais acessível das ilhas. Seja a nível de custo, seja a nível de possibilidades de viagem. Há voos diretos do Porto e de Lisboa com a RyanairTAP ou SATA

 

O que não pode perder:

Ponta Delgada 

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                                                                                                                                                                                                          Crédito: Visual Hunt

A capital administrativa dos Açores alia um encantador património histórico à beleza da sua baía natural. Quem visita esta cidade não pode deixar de passear pelos românticos jardins, atravessar as Portas da Cidade, visitar a Igreja de Santo Cristo e fazer uma refeição pelas Portas do Mar.

 

Caloura – Localizada em Água de Pau, esta zona costeira é o local ideal para fazer um programa que agrade a toda a família. Tem um porto de pesca, uma piscina enchida com água do mar e acesso ao mar límpido e de temperaturas amenas que rodeia São Miguel. Depois de uma tarde bem passada nesta zona de veraneio, aproveite para se deliciar com o peixe fresco acabado de pescar e servido no Caloura Hotel Resort.

 

Sete Cidades 

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A lagoa das Sete Cidades é uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal e um verdadeiro éden. Duas lagoas juntas por uma lenda que conta a história de amor impossível entre uma princesa e um pastor. As lágrimas da princesa terão feito a lagoa azul, enquanto o choro dos olhos verdes do pastor formou a verde. De triste fica apenas a história, porque perante tamanho encanto, só nos apetece sentar e contemplar a paisagem. O miradouro mais conhecido para observar estes 19 quilómetros de vulcão, onde caberia toda a ilha do Corvo, é o da Vista do Rei, mas desde que as low cost aterraram nesta ilha, é difícil tirar uma foto daqui sem ter algum emplastro na imagem. Por isso, suba ao hotel abandonado Monte Palace e veja como o caos e a beleza aqui se unem tão perfeitamente.

 

Lagoa do Fogo – O acesso o miradouro da serra da Barrosa não é fácil, mas as curvas apertadas são esquecidas ao contemplar a lagoa do Fogo. Apesar de ser menos conhecida do que a Lagoa das Sete Cidades, há quem a considere mais bonita. Aproveite para fazer parapente e ver a lagoa de outra perspectiva.

 

Furnas 

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                                                                                                                                                                                                              Crédito: Visual Hunt

Com cerca de 750 mil anos de história geológica, o vale das furnas esconde verdadeiros tesouros e é um dos principais postais desta ilha. Fumarolas em permanente ebulição, a Poça da Beija (encantadora piscina termal com águas a 39º a funcionar até às 23h00 – 4 euros), o Parque Terra Nostra (um gracioso jardim botânico com uma piscina de águas férreas) e a lagoa das furnas – onde é feito o emblemático cozido. Um dos restaurantes mais conhecidos onde pode provar esta especialidade chama-se Vale das Furnas.

 

Caldeira Velha – Cascata de águas termais onde é possível tomar banhos quentes. Não se deixe intimidar pela cor acastanhada, a pigmentação deve-se ao ferro e os habitantes dizem que faz bem à pele. Dica: leve um fato de banho velho pois corre o risco deste ficar amarelecido. Preços e horários aqui.

 

Chá da Gorreana – Do encantador miradouro de Santa Iria pode ver a mais antiga plantação de chá da Europa. Desça até às plantações e visite a fábrica de Chá da Gorreana, que funciona desde 1883 e já passou por cinco gerações.

 

Ilhéu de Vila Franca 

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                                                                                                                                                                                                          Crédito: Visual Hunt

Em pleno oceano Atlântico, junto à costa de Vila Franca do Campo, localiza-se um ilhéu de beleza ímpar. Uma piscina natural, de águas cristalinas e temperaturas amenas, formada dentro de uma cratera de um vulcão submarino adormecido. De junho a setembro, há um serviço regular de barco que parte do porto da vila em direção ao ilhéu, mas vá cedo porque há limite de entradas e, por vezes, algumas horas de fila. Todos os anos realiza-se aqui uma das etapas da competição internacional de mergulho Red Bull Cliff Diving.

 

Surf – Nos últimos anos, São Miguel tornou-se um dos destinos de eleição para os praticantes de surf e bodyboard. Pode alugar o material necessário para surfar as aprazíveis ondas dos Açores em vários pontos da ilha, mas a melhor praia para praticar este desporto é em Santa Bárbara, no concelho da Ribeira Grande.

 

Observação de Aves  –  Cada vez mais praticantes desta atividade visitam São Miguel para conhecer o priolo, uma das aves mais raras do Mundo e que só pode ser encontrada aqui (clique para saber mais).

 

Onde e o que comer:

Botequim Açoriano 

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                                                                                                                                                                                           Crédito: Botequim Açoriano

Restaurante locailizado na freguesia de Rabo de Peixe. Apesar da fama menos positiva desta localidade piscatória, não se deixe intimidar. Neste espaço vai encontrar alguns dos melhores pratos regionais com um toque de requinte, como por exemplo mariscos de excelência como o cavaco da foto (Facebook).

 

Anfiteatro – Este restaurante é uma extensão da Escola de Formação Hoteleira de Ponta Delgada. Como tal, alia os melhores produtos açorianos á cozinha de autor (Facebook).

 

Bife da Associação Agrícola - O melhor bife à regional fica neste restaurante localizado na cidade da Ribeira Grande (Facebook).

 

A Tasca - Aqui o melhor é reservar. Este restaurante, que alia gastronomia a música e arte ao vivo, fica em Ponta Delgada e está sempre cheio. Por alguma razão será, não é verdade?! (Facebook)

 

Cantinho dos Anjos –  Bar com decoração náutica que já existe há muitos anos e onde se junta a juventude da cidade de Ponta Delgada. Já lá fiz muitas noitadas e tenho grandes memórias deste bar (Facebook).

 

Louvre Micaelense – Já foi uma chapelaria e uma loja de fazendas importadas de França. Hoje os produtos são sobretudo açorianos. Chás, conservas, compotas e outras coisas muito boas. Prove o bolo de chocolate (Facebook).

 

Tem ainda de provar: o ananás das estufas Arruda, na Fajã de Baixo, e os bolos lêvedos da senhora Glória, feitos no momento, nas Furnas.

 

Onde dormir:

Furnas Boutique Hotel – Envolvido pela mística natureza das Furnas, este hotel é o local ideal para descansar e provar novos sabores construídos através de produtos locais. Nasceu a partir das antigas termas desta freguesia do concelho da Povoação. Tem 55 quartos, spa com piscinas termais, salas de tratamento, um restaurante com forno de lenha – À Terra – um bar forrado a discos de vinil e uma pequena loja de artigos típicos da ilha que mais parece uma mercearia (Facebook).

 

Santa Bárbara Eco Beach Resort – Entre a praia de Santa Bárbara e a montanha da lagoa do Fogo nasceu o primeiro eco resort de praia dos Açores. O hotel, de quatro estrelas, foi construído com cortiça e madeira. A decoração transpira a natureza do arquipélago. Aqui sente-se as ilhas na sua essência mais pura (Facebook).

 

 

Festas:

Santo Cristo dos Milagres – São as maiores festas religiosas dos Açores e realizam-se em maio.

Festa do Chicharro – As minhas festas preferidas de São Miguel. Realizam-se na segunda semana de julho, na freguesia da Ribeira Quente.

 

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12
Set17

Corvo, a ilha mais pequena dos Açores

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É a ilha mais pequena dos Açores, com uma área de apenas 17 km² e cerca de 400 habitantes, mas é muito mais do que isto. Um lugar completamente diferente que chega a ser difícil descrever.

 

Aqui todos se conhecem, não há casas roubadas nem trancas à porta, as fechaduras são conhecidas por serem de madeira e as mentes são tudo menos fechadas. Aqui, as leis, sejam elas de trânsito, de justiça ou sociais são feitas pelos corvinos. Aqui, vive-se com liberdade, com respeito e com vontade. Aqui, não há solidão, as redes sociais são uma janela aberta para o mundo, as viagens são feitas sempre com a determinação de voltar e a modernidade chega com respeito ao passado. Aqui, pequeno só o tamanho da terra, porque a união é grande, a alegria é imensa e a vontade de receber é ainda maior.

 

Apesar deste ano não ter conseguido ir ao Corvo, algo que por vezes acontece devido ao tempo ou estado do mar, no verão de 2016 fui e adorei. Há 11 anos que não fazia a travessia das Flores para o Corvo e achei uma grande diferença quando atracamos. As ruas estão mais limpas, a vila está arranjada e há edifícios novos feitos com mestria. A viagem de semi-rígido, com a Extremo Ocidente, é lindíssima. Dura 45 minutos e antes de navegarmos até alto mar o Carlos mostra-nos a beleza da rocha florentina. Há ilhéus, grutas e até cascatas. E se tiveres sorte, podem aparecer golfinhos e baleias para acompanhar a viagem.

 

Se preferires viajar de avião fica a saber que não há voos diretos a partir do Continente. Para fazer apenas uma escala o melhor é viajar até ao Faial ou São Miguel e seguir para o Corvo num voo inter-ilhas da SATA.

 

O que não podes perder:

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Vila do Corvo – É a única povoação da ilha e o concelho mais isolado de Portugal. As suas ruas estreitas e tortuosas são localmente conhecidas como "canadas", as casas são geralmente baixas, e combinam fachadas de pedra negra com portas e janelas brancas. Na minha opinião, o melhor que podemos fazer nesta vila é sentar num café, conviver com os corvinos e observar as suas vivências. Para eles, a insularidade e o isolamento são apenas palavras que o vento leva para outras paragens.

 

Caldeirão – Com 2.3 quilómetros de diâmetro e 300 metros de profundidade, a lagoa do Caldeirão é o ex-líbris do Corvo e um dos locais mais calmos onde já estive (primeira foto do post). O silêncio só é quebrado por alguma ave que sobrevoe o local ou por uma das vaquinhas que aprecia calmamente as pastagens. A população acredita que os pequenos ilhéus que estão dentro da cratera representam cada uma das 9 ilhas dos Açores.

 

Moinhos de Vento –  É na Ponta Negra e com uma deslumbrante vista para as Flores que três moinhos do século XIX encantam os visitantes.

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Centro de Interpretação Ambiental e Cultural – Aqui podes compreender as especificidades ambientais e culturais da ilha.

 

Igreja Nossa Senhora dos Milagres – Reza a lenda, que no século XVI, aquando de um ataque pirata foi a imagem de Nossa Senhora do Rosário que protegeu os corvinos das balas dos inimigos. Um milagre que motivou a mudança de nome da padroeira da igreja do Corvo. Apesar do edifício ser pequeno, a escultura flamenga é muito valiosa.

 

Mergulhar no Caneiro dos Meros – Em 1998, pescadores e mergulhadores do Corvo acordaram ter a única Reserva Marinha Voluntária dos Açores. 17 anos depois, o resultado é um dos mais procurados lugares de mergulho de Portugal. Uma autêntica utopia onde além dos afáveis meros, que disputam por atenção, a vida marinha é diversificada e intensa.

 

Praia da Areia

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A areia é escura, mas a água é cristalina e de temperaturas amenas. Ideal para fazer snorkeling e observar a vida marinha.

 

Cara do Índio – Escarpa esculpida pela mãe natureza de forma a parecer a cara de um índio.

 

Observação de Aves – O Corvo começa a ser um dos destinos mais procurados por ‘birdwatchers’ de todo o Mundo. Tanto que, em outubro, as viagens para lá já estão esgotadas pois é neste mês que as aves cruzam o Atlântico, durante as migrações, e param nesta ilha para descansar. No Centro de Recuperação de Aves Selvagens pode observar várias espécies resgatadas e que estão em tratamento.

 

A Casa do Bote - Construída com madeira de pinho e com o chão feito de pedra de calhau rolado, este museu recupera o traçado das antigas casas dos botes baleeiros. Aqui a memória histórica do passado do Corvo é perpetuada através de várias exposições. O espaço, instalado junto ao multiusos, dispõe de computadores que conduzem os visitantes às tradicionais vivências da ilha. Um dos registos mais marcantes são as 500 fotografias da visita do príncipe Alberto do Mónaco aos Açores.

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                                                                                                                  Foto do documentário 'É na Terra não é na Lua' sobre a ilha do Corvo

 

Fechaduras e Boinas – As fechaduras são dos segredos mais bem guardados dos corvinos. Estes utensílios, fabricados pelos artesãos do Corvo, são feitos de madeira e simbolizam a vivência numa ilha pacífica onde todos se conhecem. Já as boinas do Corvo, um barrete feito de lã, remetem ao início do século quando os mestres baleeiros teciam para ocupar as horas vagas passadas em alto-mar.

 

Onde e o que comer:

Restaurante Traineira  - A excelente localização e o peixe fresco do Traineira fazem as delícias dos turistas. Uma das especialidades do restaurante são as tortas de erva do calhau (Facebook).

 

Restaurante Caldeirão – Mais uma vez a simpatia dos corvinos salta à vista. Com ótimo atendimento e com uma ementa variada, que vai desde o peixe fresco à suculenta carne de bovino, qualquer pessoa esquece que está numa ilha onde por vezes faltam alimentos quando o mar teima em não deixar o barco da carga atracar.

 

BBC Caffé&Lounge  – Que é como quem diz, Bar dos Bombeiros do Corvo. É aqui o ponto de encontro dos corvinos mais jovens. Neste bar servem-se refeições, há karaoke, noites de discoteca e até bailes (Facebook).

 

Onde dormir:

Guest House Comodoro – Casa de hóspedes com instalações confortáveis na qual vai sentir que está em família (Facebook).

 

Joe&Vera’s Place – É a única casa particular do Corvo no Airbnb (Facebook).

 

Festas:

Festa de Nossa Senhora dos Milagres – É a maior festa da ilha e realiza-se de 13 a 16 de agosto com concertos para todos os gostos e muitos petiscos.

 

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