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Perdida por Lisboa

A capital vista pelos olhos de uma açoriana...

Perdida por Lisboa

26
Jan18

Flores, a "minha" ilha

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Antes de começar a falar da “minha” ilha, tenho de ser sincera. Demorei meses a ter coragem para escrever este post. As razões são as mais variadas. É difícil escolher o essencial quando o geral não é o mais importante. Para mim, a ilha das Flores é um todo, de afetos, de paisagens, de memórias e recordações que me trazem, na maioria das vezes, sentimentos ambíguos. É árduo escolher os melhores lugares a visitar sem apresentar um post de um quilómetro, selecionar fotos quando acho que as imagens não mostram a essência desta ilha e optar por palavras para definir uma terra tão pequena e tão grande ao mesmo tempo que só o coração consegue absorver… mas como vos prometi em julho 9 posts, 9 ilhas… aqui fica o último:

 

Flores, a ilha das cascatas

Dizem os livros de história que lhe chamaram Ilha de São Tomás e depois Santa Iria. Mas, obstinada desde o início, foi ela que escolheu o seu próprio nome. A abundância de flores amarelas que revestiam toda a superfície da ilha não deixou margem para dúvidas, o nome desta pequena terra era desde o nascimento, Flores. Dos cubres restam apenas amostras, mas a denominação continua a fazer sentido. Nos meses de verão, as encostas e os vales cobrem-se de milhares de hortênsias de cor azul, que dividem as terras de mil verdes e dão outra cor às margens das ribeiras e lagoas.

 

E quem a visita é isso que vê. A beleza natural, autêntica e quase virgem de um pedaço isolado de paraíso no meio do imenso oceano atlântico. Uma terra tranquila, de 1001 cascatas, de piscinas naturais com temperaturas amenas, de fenómenos geológicos estranhos e de histórias de aventura e de encantar. Mas o mesmo isolamento que faz desta ilha uma das mais bonitas do mundo, é um pau de dois bicos.

 

Quem aqui vive é sortudo, mas é também sobrevivente. Sobrevivente ao peso de residir na fronteira mais ocidental da Europa, a meio caminho entre o continente europeu e o americano, entre tempestades que ora trazem chuva e vento, ora dão à ilha uma vegetação luxuriante. Os florentinos vivem permanentemente divididos entre as saudades dos que partem, a rotina que todos conhecem e as falhas difíceis de combater numa terra tão pequena. Aqui, não há hospitais, há apenas um centro de saúde e os casos mais graves são evacuados. Aqui, as grávidas têm de viajar para outra ilha um mês antes de ter os filhos. Aqui, muitos alimentos frescos teimam ainda em não chegar. Aqui, não há cinema, centro comercial, dezenas de restaurantes e cafés, milhares de pessoas. É verdade. Aqui, neste éden, ainda desconhecido por muitos portugueses, não há perfeição… mas está muito perto dela.

 

A SATA é a única companhia aérea a voar para as Flores e se viajares a partir do continente tens obrigatoriamente de fazer escala em pelo menos uma outra ilha. Consulta os preços aqui.

 

O que não podes perder:

Sete Lagoas 

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Entre as verdejantes matas -  que os florentinos chamam de “mato” -  vais encontrar sete crateras de vulcões tornadas lagoas. As minhas preferidas vêm em dose dupla porque a paisagem contempla as duas. São elas a Caldeira Negra e a Lagoa Comprida (na imagem), que ficam perto da freguesia da Fajã-Grande, e a Funda e a Rasa, perto da vila das Lajes.

 

Rocha dos Bordões – Este fenómeno geológico com cerca de 570 mil anos provoca muita curiosidade nos visitantes. O morro alto rodeado de “bordões” é o resultado da solidificação de basalto em altas estrias verticais. Se fores no mês de julho esta rocha vai estar ainda mais bonita pois enche-se de hortências que lhe dão uma tonalidade azul.

 

Poço da Ribeira do Ferreiro – Este local (primeira foto deste post) é também conhecido por Poço da Alagoinha, ou Lagoa das Patas. Mas o nome pouco interessa.  A sensação, ao chegar aqui, é de ter encontrado o Éden. Uma lagoa onde desabam dezenas de cascatas rodeadas, com uma luxuriante vegetação de onde saem libelinhas e por vezes até patos. Para chegar aqui tens de fazer um trilho de cerca de 20 minutos, onde o único som que vais ouvir é o chilrear dos pássaros e o correr das ribeiras.

 

Miradouro Craveiro Lopes - Esta ilha é rica em trilhos e vistas magnificentes. O miradouro Craveiro Lopes é exemplo disso. Uma visão panorâmica sobre o vale da Fajãzinha, com o Poço da Ribeira do Ferreiro à direita e o mar em frente.

 

Fajã Grande 

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É das freguesias mais bonitas da ilha e a principal zona de veraneio. E para mim, tem também o pôr-do-sol mais bonito do mundo.

 

Ilhéu do Monchique – Junto à costa oeste da ilha encontra-se o ponto mais ocidental da Europa. Um rochedo oceânico que já foi ponto de referência para os barcos acertarem as rotas. Aproveita para o conhecer durante uma volta de barco à ilha com a Extremo Ocidente. Durante essa viagem podes também conhecer outros ilhéus, grutas, cascatas que desabam no mar e até quem sabe ser surpreendido por golfinhos.

 

Poço do Bacalhau 

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Queda de 90 metros de altura, que se despenha numa lagoa natural e convida a um mergulho que dificilmente irás recusar. Se gostas de ter como companhia adrenalina, aventura e emoções fortes aproveita para fazer canyoning com a West Canyoning que já vos falei aqui

 

Moinho da Fajãzinha – Aqui o milho ainda é moído como antigamente. Os locais levam o seu milho, pagam um x e levam a farinha para casa moída de uma forma artesanal. A senhora Fátima, que explica com todo o amor o processo de moagem a quem por lá passa, garante que o pão feito com esta farinha é 2mil vezes mais saboroso":

 

Mergulhar no Slavonia – A ilha das Flores é rica em spots para os amantes de mergulho. Um dos locais mais procurados fica ao largo do Lajedo. O navio inglês Slavonia é um dos 700 naufrágios que ocorreram nos Açores entre o século XVI e XX. Para marcares um mergulho fala com a Extremo Ocidente.

 

Piscinas naturais 

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Nas Flores, há apenas uma praia. Fica na vila das Lajes, mas, desculpem os lajenses, eu não gosto. Prefiro a zona balnear da Fajã Grande e as piscinas de Santa Cruz. Em 2017, foi inaugurada uma nova piscina natural nesta vila e da qual fiquei fã. Chama-se Piscina das Salemas, tem vista para a vizinha ilha do Corvo, mar cristalino, cheio de peixes coloridos, búzios e estrelas do mar.

 

Museu Fábrica da Baleia do Boqueirão - Aqui história da indústria baleeira é contada através de fotografias, registos e memórias da época. A minha parte preferida foi os testemunhos dos mestres baleeiros que contam em vídeo momentos da fauna.

 

Farol do Albernaz – É o Farol mais Ocidental da Europa. Foi inaugurado em 1925, está localizado na deslumbrante falésia de Ponta Delgada e tem uma ampla vista para o Corvo. Se o faroleiro de serviço estiver disponível mostra a torre de 1.95 metros e explica a história do edifício, assim como algumas curiosidades sobre o mar dos Açores.

 

Alagoa 

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Entre a Fazenda de Santa Cruz e os Cedros existe uma estreita estrada que nos transporta para uma paisagem deslumbrante. Nesta pequena baía, além da vista, tem um parque de campismo e uma cascata.

 

Onde e o que comer:

Restaurante Pôr-do-Sol – Neste espaço, localizado na freguesia da Fajãzinha, podes deliciar-te com a comida típica da ilha enquanto observas um dos mais bonitos crepúsculos de Portugal. A entrada é constituída por bolo do tijolo (típico dos Açores), doce caseiro, queijo da ilha e torresminhos. Quanto aos pratos principais, aconselho a linguiça com inhame, o feijão assado no forno de lenha, morcela com batata doce e as tortas de erva-do-calhau (algas).

 

O Pescador – Neste restaurante da freguesia de Ponta Delgada há sempre peixe e marisco fresco. Os filetes de peixe-porco, o bife de tubarão e o cavaco são os pratos mais procurados.

 

Onde dormir:

Aldeia da Cuada – Aldeamento turístico onde o tempo parece parado. Recorda o post que escrevi sobre este alojamento aqui.

 

Hotel Flores – Ótima opção para quem quer uma estadia mais luxuosa. Este hotel de quatro estrelas do Inatel tem uma vista encantadora para o Corvo, uma piscina infinita, ginásio, restaurante e sala de jogos.

 

Festas:

Festas do Espírito Santo – Sete semanas depois da Páscoa, realizam-se uma das principais festas religiosas dos Açores. Há missas e procissões em homenagem à terceira pessoa da Santíssima Trindade e dão-se “sopas de carne” para pagar as promessas feitas em momentos de aflição.

 

Festa do Cais das Poças – É, neste momento, a melhor festa da ilha. Realiza-se na vila de Santa Cruz no primeiro fim de semana de agosto.

 

Bailaricos – Todos os fins de semana, de junho a setembro, há festas populares pelas freguesias da ilha. Há bailarico e tascas com comes e bebes.

 

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02
Dez17

São Miguel, a ilha dos mil vulcões

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Tenho uma paixão especial por São Miguel. Foi nesta ilha, a maior dos Açores, que tirei a minha licenciatura e vivi três dos melhores anos da minha vida. Além das pessoas que conheci e que vão ficar sempre no meu coração, tive o prazer de viver num dos locais mais bonitos do mundo. Passaram quase dez anos desde essa altura. Muita coisa mudou, o turismo cresceu substancialmente, mas há algo que ainda permanece intocável: a impressionante “luz verde” de São Miguel, retratada por Raúl Brandão, no livro 'As Ilhas Desconhecidas', e observada por todos os que visitam esta ilha. Às “grandes árvores de sonho” e aos jardins “de um verde cerrado e magnético” junta-se os encantos de uma ilha onde os vulcões extintos teimam em se fazer sentir com alguma intensidade e muito encanto.

 

São Miguel é a mais acessível das ilhas. Seja a nível de custo, seja a nível de possibilidades de viagem. Há voos diretos do Porto e de Lisboa com a RyanairTAP ou SATA

 

O que não pode perder:

Ponta Delgada 

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                                                                                                                                                                                                          Crédito: Visual Hunt

A capital administrativa dos Açores alia um encantador património histórico à beleza da sua baía natural. Quem visita esta cidade não pode deixar de passear pelos românticos jardins, atravessar as Portas da Cidade, visitar a Igreja de Santo Cristo e fazer uma refeição pelas Portas do Mar.

 

Caloura – Localizada em Água de Pau, esta zona costeira é o local ideal para fazer um programa que agrade a toda a família. Tem um porto de pesca, uma piscina enchida com água do mar e acesso ao mar límpido e de temperaturas amenas que rodeia São Miguel. Depois de uma tarde bem passada nesta zona de veraneio, aproveite para se deliciar com o peixe fresco acabado de pescar e servido no Caloura Hotel Resort.

 

Sete Cidades 

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A lagoa das Sete Cidades é uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal e um verdadeiro éden. Duas lagoas juntas por uma lenda que conta a história de amor impossível entre uma princesa e um pastor. As lágrimas da princesa terão feito a lagoa azul, enquanto o choro dos olhos verdes do pastor formou a verde. De triste fica apenas a história, porque perante tamanho encanto, só nos apetece sentar e contemplar a paisagem. O miradouro mais conhecido para observar estes 19 quilómetros de vulcão, onde caberia toda a ilha do Corvo, é o da Vista do Rei, mas desde que as low cost aterraram nesta ilha, é difícil tirar uma foto daqui sem ter algum emplastro na imagem. Por isso, suba ao hotel abandonado Monte Palace e veja como o caos e a beleza aqui se unem tão perfeitamente.

 

Lagoa do Fogo – O acesso o miradouro da serra da Barrosa não é fácil, mas as curvas apertadas são esquecidas ao contemplar a lagoa do Fogo. Apesar de ser menos conhecida do que a Lagoa das Sete Cidades, há quem a considere mais bonita. Aproveite para fazer parapente e ver a lagoa de outra perspectiva.

 

Furnas 

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                                                                                                                                                                                                              Crédito: Visual Hunt

Com cerca de 750 mil anos de história geológica, o vale das furnas esconde verdadeiros tesouros e é um dos principais postais desta ilha. Fumarolas em permanente ebulição, a Poça da Beija (encantadora piscina termal com águas a 39º a funcionar até às 23h00 – 4 euros), o Parque Terra Nostra (um gracioso jardim botânico com uma piscina de águas férreas) e a lagoa das furnas – onde é feito o emblemático cozido. Um dos restaurantes mais conhecidos onde pode provar esta especialidade chama-se Vale das Furnas.

 

Caldeira Velha – Cascata de águas termais onde é possível tomar banhos quentes. Não se deixe intimidar pela cor acastanhada, a pigmentação deve-se ao ferro e os habitantes dizem que faz bem à pele. Dica: leve um fato de banho velho pois corre o risco deste ficar amarelecido. Preços e horários aqui.

 

Chá da Gorreana – Do encantador miradouro de Santa Iria pode ver a mais antiga plantação de chá da Europa. Desça até às plantações e visite a fábrica de Chá da Gorreana, que funciona desde 1883 e já passou por cinco gerações.

 

Ilhéu de Vila Franca 

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                                                                                                                                                                                                          Crédito: Visual Hunt

Em pleno oceano Atlântico, junto à costa de Vila Franca do Campo, localiza-se um ilhéu de beleza ímpar. Uma piscina natural, de águas cristalinas e temperaturas amenas, formada dentro de uma cratera de um vulcão submarino adormecido. De junho a setembro, há um serviço regular de barco que parte do porto da vila em direção ao ilhéu, mas vá cedo porque há limite de entradas e, por vezes, algumas horas de fila. Todos os anos realiza-se aqui uma das etapas da competição internacional de mergulho Red Bull Cliff Diving.

 

Surf – Nos últimos anos, São Miguel tornou-se um dos destinos de eleição para os praticantes de surf e bodyboard. Pode alugar o material necessário para surfar as aprazíveis ondas dos Açores em vários pontos da ilha, mas a melhor praia para praticar este desporto é em Santa Bárbara, no concelho da Ribeira Grande.

 

Observação de Aves  –  Cada vez mais praticantes desta atividade visitam São Miguel para conhecer o priolo, uma das aves mais raras do Mundo e que só pode ser encontrada aqui (clique para saber mais).

 

Onde e o que comer:

Botequim Açoriano 

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                                                                                                                                                                                           Crédito: Botequim Açoriano

Restaurante locailizado na freguesia de Rabo de Peixe. Apesar da fama menos positiva desta localidade piscatória, não se deixe intimidar. Neste espaço vai encontrar alguns dos melhores pratos regionais com um toque de requinte, como por exemplo mariscos de excelência como o cavaco da foto (Facebook).

 

Anfiteatro – Este restaurante é uma extensão da Escola de Formação Hoteleira de Ponta Delgada. Como tal, alia os melhores produtos açorianos á cozinha de autor (Facebook).

 

Bife da Associação Agrícola - O melhor bife à regional fica neste restaurante localizado na cidade da Ribeira Grande (Facebook).

 

A Tasca - Aqui o melhor é reservar. Este restaurante, que alia gastronomia a música e arte ao vivo, fica em Ponta Delgada e está sempre cheio. Por alguma razão será, não é verdade?! (Facebook)

 

Cantinho dos Anjos –  Bar com decoração náutica que já existe há muitos anos e onde se junta a juventude da cidade de Ponta Delgada. Já lá fiz muitas noitadas e tenho grandes memórias deste bar (Facebook).

 

Louvre Micaelense – Já foi uma chapelaria e uma loja de fazendas importadas de França. Hoje os produtos são sobretudo açorianos. Chás, conservas, compotas e outras coisas muito boas. Prove o bolo de chocolate (Facebook).

 

Tem ainda de provar: o ananás das estufas Arruda, na Fajã de Baixo, e os bolos lêvedos da senhora Glória, feitos no momento, nas Furnas.

 

Onde dormir:

Furnas Boutique Hotel – Envolvido pela mística natureza das Furnas, este hotel é o local ideal para descansar e provar novos sabores construídos através de produtos locais. Nasceu a partir das antigas termas desta freguesia do concelho da Povoação. Tem 55 quartos, spa com piscinas termais, salas de tratamento, um restaurante com forno de lenha – À Terra – um bar forrado a discos de vinil e uma pequena loja de artigos típicos da ilha que mais parece uma mercearia (Facebook).

 

Santa Bárbara Eco Beach Resort – Entre a praia de Santa Bárbara e a montanha da lagoa do Fogo nasceu o primeiro eco resort de praia dos Açores. O hotel, de quatro estrelas, foi construído com cortiça e madeira. A decoração transpira a natureza do arquipélago. Aqui sente-se as ilhas na sua essência mais pura (Facebook).

 

 

Festas:

Santo Cristo dos Milagres – São as maiores festas religiosas dos Açores e realizam-se em maio.

Festa do Chicharro – As minhas festas preferidas de São Miguel. Realizam-se na segunda semana de julho, na freguesia da Ribeira Quente.

 

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06
Ago17

Pico, a ilha montanha

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A forma mais bonita de chegar ao Pico é de barco a partir da vizinha ilha do Faial. A viagem dura cerca de 30 minutos e é encantadora. Passamos pelos ilhéus 'Em Pé' e 'Deitado' e vemos a imponente montanha a aproximar-se de uma forma magestosa. 

 

Foi dessa forma que fomos para a ilha montanha. Depois de voarmos de Lisboa para a Terceira na SATA Internacional (veja aqui como foi a nossa escala), voamos para o Faial num inter-ilhas com a mesma companhia aérea e seguimos para o Pico, no mesmo dia, com a Atlântico Line, pois queríamos apanhar as Festas de Santa Maria Madalena. Se preferir ir de avião, há três voos diretos por semana de Lisboa para o Pico, aos sábados, segundas, e quartas.

 

O que vimos em 2 dias:

Dia 1

 

 

 Vinhas da Criação Velha - Tivemos a sorte de ficar numa adega rodeada pelas afamadas vinhas da Criação Velha, com vista para o Faial de um lado e para a montanha mais alta de Portugal do outro (obrigada Padrinho :). No dia seguinte à chegada, percorremos a paisagem labiríntica de muros de pedra – declarada Património Mundial da UNESCO – que protegem os milhares de videiras que escondem tesouros de uma ilha de vinicultores.

  • Produz-se vinho no Pico desde o século XVIII e, embora as outras ilhas também o façam, é aqui que se faz mais e de uma forma mais estável. Garrafas de vinho do Pico já foram exportadas até para czares da Rússia. Há licorosos de vários géneros, mas a aposta é sobretudo nos vinhos brancos, que juntam lotes de verdelho, terrantez e arinto. Provamos o Terras de Lava (branco e rosé) e adoramos. 

 

Observação de cetáceos –  Depois de visitarmos as vinhas da Criação Velha, na vila da Madalena, fomos para a vila das Lajes (+/- 40 minutos de carro) para colocarmos em prática uma das atividades mais esperadas da nossa viagem: ver baleias e golfinhos. As águas que rodeiam este arquipélago são um autêntico oásis para quem gosta de observar espécies marinhas. Mas é nas ilhas do triângulo (Pico, São Jorge e Faial) que há mais certezas de navegar junto aos imponentes e calmos cetáceos. Há até quem diga que em 90% das viagens de barco do Pico aparecem golfinhos.

 

 

Optamos por fazer a viagem com o conceituado Espaço Talassa. O preço por pessoa são de 64 euros em época alta. Podem achar caro, mas valeu cada cêntimo. São quatro horas de pura adrenalina e muita ansiedade. Depois de um briefing para explicar as espécies que podemos avistar, as medidas de segurança e de proteção do ambiente, partimos para o mar com um skiper e uma biologa marinha. Aqui é preciso paciência. Quem manda são os animais, que dão o ar da sua graça quando e como querem. Depois de quase meia hora de espera (a tirar algumas selfies no mar infinito que nos rodeava) apareceram as primeiras baleias de bico. A partir daí foram duas horas de 'wows'. Cachalotes, tartarugas e até dois tipos de golfinhos diferentes. Foi uma experiência inesquecível que recomendo a qualquer pessoa que seja apaixonada por mar.

 

 

 

Museu dos Baleeiros – A tradição baleeira faz parte da identidade dos Açores e foi da Vila das Lajes, no Pico, onde esta prática era mais regular, que saiu o último bote de caça ao cachalote. Com a proibição da caça à baleia, em 1987, temia-se o desaparecimento das tradições, mas os picarotos moldaram-se. Além da observação das baleias, passaram também a utilizar os botes para fazer regatas e ergueram vários museus dedicados a este costume. O Museu dos Baleeiros, nas Lajes, está aberto de terça a domingo das 10h00 às 17h00. A entrada custa 2€ e ao domingo é gratuita.

 

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Forte de Santa Catarina – Depois de dar um mergulho no 'portinho', no centro da vila, fomos visitar o Forte de Santa Catarina, construído no século XVIII para defender a vila das Lajes dos ataques de piratas. Agora é um Posto de Turismo e Artesanato, onde além da vista deslumbrante para a montanha do Pico (que espreita em toda a ilha e arredores) pode adquirir recordações.

 

Dia 2

 

 

 

Arcos do Cachorro – Toda a costa do Pico é recortada por baías e meandros de lava com formações curiosas. Os Arcos do Cachorro, na freguesia das Bandeiras, são disso exemplo. Uma zona constituída por túneis, grutas e arcos, onde existe uma insólita escultura rochosa semelhante ao focinho de um cão.

 

Vila de São Roque - Esta pequena vila tem também uma forte tradição baleeira. Junto ao porto tem um museu construído numa antiga fábrica da especialidade, um monumento aos baleeiros e vários botes em exposição onde os turistas aproveitam para tirar fotos. Numa das pontas da vila tem também umas piscinas naturais ótimas para dar um mergulho.

 

O que gostaríamos de ter feito também:

Subir ao topo de Portugal – Há 750 mil anos, surgiu das profundezas do oceano o vulcão que deu origem a uma das 7 maravilhas de Portugal. Com uma altitude superior a 5 mil metros, dos quais 2351 descobertos, a Montanha do Pico não é só a mais alta como a mais recente do País. As cinco horas de caminhada (feitas com um guia) até ao cume do Pico são fatigantes, mas diz que fez que a vista sobre todas as ilhas do grupo central compensa.

 

Museu do Vinho – Localizado na Casa Conventual dos Carmelitas, na Madalena, este museu conta a história das vinhas do Pico, organiza visitas aos currais e provas de vinho. Funciona de terça a sexta das 9h15 ao 12h30 e das 14h00 às 17h30; Aos sábados e domingos o horário de visita é das 14h00 às 17h30.

 

Gruta das Torres – Esta gruta oferece uma viagem pelo interior da ilha do Pico. É constituída por uma cavidade vulcânica com um tubo lávico de 15 metros de altura e vários túneis vizinhos de menores dimensões, onde pode observar várias formações geológicas, como estalactites e estalagmites.

 

Planalto da Achada – Com cerca de 30 km de extensão, esta cordilheira vulcânica é dos locais mais importantes dos Açores no que respeita a vegetação endémica. Situa-se entre a Lagoa do Capitão e a Ponta da Ilha, tem cerca de 200 cones vulcânicos e abriga dezenas de turfeiras, charcos e lagoas. Um ótimo local para fazer uma relaxante caminhada.

 

Festas

Festas Santa Maria Madalena – No final de julho, a Vila da Madalena homenageia a Santa homónima com muita festa. E nós estivemos lá! 

 

 

Festas do Cais de Agosto – Realizam-se em São Roque, na primeira semana do mês.

 

Semana dos Baleeiros – Durante a última semana de agosto a Vila das Lajes enche-se de muita música, comida e bebida.

Onde dormir

Pocinhobay – Este hotel, na Vila da Madalena, é um autêntico pedaço do paraíso. Se as vistas, ora para a vizinha ilha do Faial, ora para a zona protegida da vinha do Pico, são deslumbrantes, o design do espaço, que alia o conforto da modernidade à arquitetura tradicional da ilha, é igualmente soberbo. Ponto a favor também para o atendimento que prima pela simpatia (Facebook).

 

Aldeia da Fonte – Situado numa falésia da Vila das Lajes, sobre o Atlântico, com vista para a Montanha do Pico, este hotel oferece uma estadia confortável e cheia de charme. No restaurante, a cozinha de autor dá uma nova vida aos sabores locais (Facebook).

 

Onde comer

 

Cella Bar – Já vos falei deste bar, da Vila da Madalena aqui. Foi considerado o bar mais bonito do mundo e além do elegante edifício tem uma vista fantástica para os ilhéus ‘Deitado’ e ‘Em Pé’. Este espaço é também restaurante e palco para sunsets e música ao vivo (Facebook). Adoramos o entrecosto com molho barbecue e a mousse de chocolate belga.

 

O Ancoradouro – Um dos melhores restaurantes da ilha fica na Vila da Madalena. O Caldo de Peixe à moda do Pico é o prato mais cobiçado (Facebook).

21
Jul17

À descoberta dos Açores - 9 posts, 9 ilhas

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Nas próximas duas semanas, vou de férias para os Açores. Levo comigo duas amigas continentais e vou relatar aqui (no Facebook e Instagram também) as nossas experiências e aventuras, assim como dar-vos dicas e sugestões para quando forem visitar este paradisíaco arquipélago. Vamos estar em sete das nove ilhas. Elas pela primeira vez nos Açores. Eu, que sou açoriana, apenas vou pisar pela primeira vez São Jorge, as outras já conheço, mas estou ansiosa por voltar.

 

Esta publicação é uma introdução sobre o que se segue, uma visão geral sobre os Açores, o post número 0 de 9 que se seguem sobre cada uma das ilhas. Ou seja, nas próximas semanas vou estar perdida por outras paragens e espero que vocês também se percam de amores por estas ilhas 

 

Post 0 - Mergulho nos Açores

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Já se imaginou num local onde o murmurar do vento se junta ao mugir saudoso das vacas? Onde o verde se perde de vista até às águas cristalinas do Atlântico?

 

Com a chegada dos voos low cost, viajar para os Açores ficou bem mais em conta. As passagens aéreas chegam a custar quase menos um terço do valor praticado antes, algo que os açorianos ambicionavam há anos. E que os não são açorianos agradecem. Mas o que têm estas ilhas, além das famosas vaquinhas, do peixe fresco e dos caminhos pedestres?

 

Todas são diferentes. Têm desenvolvimentos díspares, qualidades e lacunas que diferem entre elas. Até o sotaque dos habitantes é diferente se estiver nas Flores ou em São Miguel. Contudo, há potencialidades comuns a todo o arquipélago, como é o caso do ecoturismo marinho. A agradável temperatura do mar e a vasta vida marinha fazem com que este seja considerado por muitos mergulhadores um ‘hot spot’.

 

Para além do mergulho, o mar é um autêntico oásis para baleias e golfinhos, proporcionando viagens de barco dignas de documentários. Para os amantes dos desportos radicais, há 104 locais sinalizados para a prática de canyoning  (atividade da qual já vos falei aqui). Algo mais calmo mas com a mesma potencialidade é o turismo holístico, que alia a natureza a fins terapêuticos. O lado selvagem e quase intocável das ilhas torna-as o destino ideal para relaxar e meditar.

 

Entre o mar e a terra, os Açores são o destino de sonho para quem quer estar junto da natureza no seu estado mais puro. Um verdadeiro paraíso perdido no meio do Oceano Atlântico.

 

Como lá chegar

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- Há várias companhias a voar para os Açores. As mais conhecidas são SATA (para todas as ilhas), TAP, Ryanair e Easyjet (só para algumas ilhas).

 

- Pode viajar entre ilhas de avião ou de barco. De barco só aconselho entre as Ilhas do Triângulo (São Jorge, Pico e Faial), Flores-Corvo e São Miguel-Santa Maria.

 

- Quem voar para Ponta Delgada (São Miguel), numa companhia low cost, pode pedir um voo gratuito para outra ilha através da SATA, desde que não fique mais de 24 horas em São Miguel. O site www.encaminhamentos.sata.pt conta-lhe tudo.

 

Dicas para quem nunca se perdeu pelos Açores

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- As nove ilhas dos Açores estão divididas em três grupos: Ocidental (Flores e Corvo), Central (Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial) e Oriental (São Miguel e Santa Maria).

 

- Açores também é Portugal, a nossa capital é Lisboa, a nossa língua é também o português, apesar de termos uns sotaques "estranhos".

 

- Falando em sotaques. Se for a outra ilha que não São Miguel, por favor não diga que as pessoas não falam açoriano. Não há um sotaque açoriano, todas as ilhas têm sotaque diferente.

 

- Para conhecer as ilhas o melhor é alugar carro. Os transportes públicos não funcionam muito bem e em algumas ilhas nem há. Há também táxis e tours que mostram as principais paisagens. Ah! E nas ilhas mais pequenas os habitantes costumam oferecer boleia.

 

Pormenores&Curiosidades

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- O povoamento dos Açores começou em 1432.

 

- Neste momento há 245.766 habitantes no arquipélago, 138.369 deles na ilha de São Miguel e 440 na ilha mais pequena, o Corvo.

 

- Tem uma área total de 2 325 km2.

 

- Fica a uma distância de 1 600 km do continente europeu e a 3 400 km do americano.

 

- Estas ilhas são de origem vulcânica, mas não se preocupe que não há erupções todos os dias! A última foi em 1999, uma erupção submarina ao largo da ilha Terceira, mas que não causou dano. A mais forte foi o Vulcão dos Capelinhos, na ilha do Faial, que esteve ativo 13 meses, entre 1957 e 1958. Por vezes há tremores de terra, mas provavelmente nem os vai conseguir sentir.

 

 

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